CIDADES
Quinta-feira, 04 de Junho de 2009, 21h:51
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CASO UEMURA
Denúncias reafirmadas
Promotor diz que depoimentos de testemunhas comprovam denúncias contra a quadrilha liderada por empresário
Nove testemunhas de acusação prestaram depoimento contra o empresário Júlio Uemura ontem, durante todo o dia, na primeira audiência judicial após a Operação Gafanhoto. O promotor do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Sérgio Silva da Costa, afirmou que as versões dos depoentes comprovam as denúncias contra a quadrilha supostamente liderada pelo empresário do ramo de hortifrutigranjeiros. A primeira testemunha de acusação ouvida pelo juiz José Arimatéia Neves da Costa foi um produtor rural do Espírito Santo, vítima do esquema, que chegou ontem a Cuiabá sob proteção policial. Contudo, o depoimento mais contundente contra o empresário teria sido o de Claudiomiro Alexandre de Lima e da esposa, Maria Lucinéia de Lima, que denunciaram a ação criminosa e embasaram a Operação Gafanhoto, para desarticular o grupo, em março deste ano. Durante quatro horas, Claudiomiro revelou como agia o grupo comandado por Uemura. Ele e a esposa teriam trabalhado com o empresário vendendo frutas e verduras, mas sem obter lucros, teriam desfeito a parceria. Os dois teriam sido ameaçados e vítimas de atentados armados encomendados por Uemura. Na acusação do Ministério Público Estadual (MPE) constam ao menos quatro policiais civis que figuram na peça como o braço armado de Uemura. Um galpão do casal teria sido usado por Uemura como empresa fantasma para as compras de produtores rurais de outros estados pelo empresário e gerado, a um dos fornecedores, uma dívida de R$ 1,7 milhão. Quatro produtores rurais de São Paulo afirmam que levaram um prejuízo de R$ 2 milhões com os golpes aplicados pela suposta quadrilha. Os produtores vendiam para pessoas que usavam o Uemura como referência, mas não sabiam que o produto ia para as empresas dele. Começaram a descobrir quando os cheques para pagamento das compras começaram a voltar. Então, vieram a Cuiabá e viram o produto deles nos galpões do Uemura. Aqui, os hortifrutigranjeiros eram vendidos pela metade do preço que, em tese, ele pagaria aos produtores paulistas, porque, na verdade, ele não pagava, afirmou o assistente de acusação das quatro vítimas, Carlos Donega. Um dos agropecuaristas, Shigueu Hayata, prestaria depoimento hoje pela manhã. Depois dele, devem depor as testemunhas de defesa, 41 agendadas para hoje. A previsão é que até a tarde de domingo mais de 100 pessoas sejam ouvidas. A expectativa da defesa dos envolvidos é que no domingo, os oito réus que continuam presos sejam soltos - já que não ofereceriam mais riscos às testemunhas de acusação e o prazo de 90 dias da prisão preventiva expirou esta semana. Júlio Uemura está em prisão domiciliar. Também foi ouvido ontem o tabelião do Serviço Notarial de Bonsucesso, Leôncio Filho. O contador denunciado Ronaldo Luis Matheus teria utilizado o estabelecimento de Leôncio para falsificar escrituras de compra e venda de carros, imóveis e carretas para os Uemura. A família Uemura afirma ter sido vítima de uma armação e defende que no nome da empresa não há ilegalidades e dívidas pendentes. Em 4 de março, oito pessoas foram presas após a Operação Gafanhoto. Uemura é acusado de liderar uma quadrilha que praticava estelionato, sonegação fiscal e outros crimes graves. Também há suspeitas envolvendo possíveis homicídios. No total, 30 pessoas foram denunciadas, entre eles o comunicador e ex-deputado Walter Rabello.