CIDADES
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 20h:56
A
A
EM CRISE
Dentistas vão à Governança para manifesto
Paradoxalmente à política nacional, que tem como estratégia o Projeto Saúde Bucal (SBBrasil 2010), a população de Cuiabá, especialmente a mais carente, sofre com a falta de atendimento odontológico pelo Sistema Único de Saúde há 114 dias. O problema é fruto de um impasse entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e cirurgiões-dentistas. A categoria está com as atividades paradas reivindicando a implantação do Plano de Cargos, Salários e Vencimentos (PCCV). Apenas os serviços de emergência e urgência (em caso de dor) estão sendo realizados. Ontem, cerca de 50 profissionais da área realizaram uma manifestação em frente à Governança Integrada, onde normalmente às quartas-feiras acontece a reunião de Secretariado. A intenção foi buscar o diálogo. De acordo com o presidente do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas (Sinodonto), Gustavo de Oliveira, os acordos, inclusive documentos assinados pelo gestor municipal, desde a gestão de Wilson Santos e com a participação do atual prefeito Franscico Galindo, não estão sendo cumpridos. Conforme Oliveira, além de não ter encaminhado à Câmara Municipal de Vereadores o projeto de implantação do PCCV, para aprovação e, depois, sanção, a administração municipal exonerou 55 contratados em retaliação à greve. Anteontem, a terceira Câmara Civil de Cuiabá determinou que a prefeitura suspendesse as demissões até decisão de mérito, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A população, que desconhece os perigos que podem estar por trás de um problema dentário, é a maior prejudicada. O Sinodonto calcula que 2 mil procedimentos já deixaram de ser realizados. Além disso, pelo menos 15 mil tratamentos não foram concluídos. Este é o caso do pequeno João, 9 anos, morador do Jardim Beira-Rio, ao lado do Coophamil, que participou da Pesquisa Projeto SBBrasil 2010. Sua mãe Ester Lima conta que o filho tinha iniciado o tratamento de restauração na Clínica do Verdão e teve que interromper por conta da paralisação. Ele já tinha feito algumas obturações, mas parou. Também ia levar minha filha de seis anos, agora tem que esperar, comentou. Ao fazer uma breve explicação sobre a anatomia dental, Gustavo de Oliveira lembrou que boca está integrada ao organismo e que o sangue que circula pelo corpo também passa pelos vasos sanguíneos em torno dos dentes. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da SMS para falar sobre o assunto, mas não houve retorno. (JD)