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CIDADES
Sábado, 29 de Agosto de 2009, 08h:34

SAÚDE PÚBLICA

Demissão de 40 médicos será na 2ª-feira

Profissionais que atendem PSF e Pronto-socorro informaram ontem à prefeitura sobre decisão de abandonar postos, invocando insatisfação com a gestão

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Cerca de 40 médicos devem pedir, oficialmente, demissão em massa nesta segunda-feira dos cargos que ocupam no Pronto-socorro de Cuiabá (PSC) e nas equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). Este é o número estimado de profissionais insatisfeitos com a atual gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) em Cuiabá, por conta do secretário municipal de Saúde, Luiz Soares. Ontem, representantes dos médicos informaram à prefeitura a respeito da demissão em massa, por meio do presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso, Luiz Carlos Alvarenga. O informe foi feito com 72 horas de antecedência, pois a assinatura dos pedidos de demissão deve ser feita pelos profissionais até a assembléia da categoria, na segunda-feira. Já na terça, dia 1º de setembro, os profissionais se concentram na frente do PSC para iniciar uma passeata até a prefeitura de Cuiabá como forma de manifestação pacífica. Os médicos apontam uma série de falhas na gestão de Luiz Soares, como salários pífios, além de reclamarem do “autoritarismo desmedido“ com que ele gerencia a Saúde em Cuiabá. Outros itens da reclamação dos médicos são a falta de critérios para contratação de profissionais, desrespeito a direitos trabalhistas e incompetência administrativa. Com a demissão dos médicos, tanto as 63 equipes de PSF (que já tem 10 desfalcadas dos profissionais) quanto o atendimento no PSC ficam desguarnecidos a partir da semana que vem – e a população já está atenta para isso. No PSF que atende aos bairros Tancredo Neves, Três Lagoas e Vila Rosa, a comunidade está consternada com a situação gerada entre a prefeitura e os médicos. Avisados sobre a demissão em massa e consequente falta de médico na unidade, ontem, a comunidade foi em peso realizar consultas. O número de atendimentos simplesmente dobrou: enquanto são geralmente realizados 20 num dia normal, ontem foram 40. Com pneumonia, Fátima de Oliveira, 45 anos, se preocupa com o fato de que, após a demissão da médica da unidade, certamente a Secretaria de Saúde ainda vai demorar até recompor o quadro. Além disso, ela reclama que, mesmo garantindo a substituição do profissional, a comunidade ainda vai demorar muito para manter com ele o nível de bom relacionamento construído ao longo do tempo com a atual médica. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou que a rede em Cuiabá conta com aproximadamente 800 médicos e que falta receber oficialmente os pedidos de demissão para avaliar a situação. Sobre os salários dos médicos, que reivindicam aumento de R$ 830 para mais de R$ 8.000, Soares ainda diz ser impraticável aumentá-los.

Edição EDIÇÃO 16962




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