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CIDADES
Sábado, 20 de Março de 2010, 13h:13

Custo de pedágio municipal não o atrai como alternativa

Aplicado em cidades de trânsito definitivamente saturado como Londres, na Inglaterra, o pedágio municipal para veículos em áreas centrais já foi apontado por seu criador, o consultor de transportes Derek Turner, como solução para o Brasil no combate aos congestionamentos. Mas será que se encaixa na dinâmica de Cuiabá? O pedágio funciona com a ajuda de câmeras que leem as placas dos veículos que adentram a região central da cidade. Não há inconvenientes para o motorista na hora de transitar e ele pode pagar a conta do pedágio em estabelecimentos comerciais, pela internet, e outros. Por mais facilidade que envolva, entretanto, a medida é outro dos grandes modelos internacionais de racionalização de trânsito que não serviriam para Cuiabá. Os primeiros argumentos são do secretário Edivá Alves, que menciona a inexistência do modelo no Brasil e o prejuízo que a cobrança pode gerar ao comércio na região central. Também pesa contra ele o histórico inglês, onde o trânsito é muito mais experimentado em busca de soluções do que o de Cuiabá. Lá, argumenta o representante da Assut Jean Haute, diversas outras medidas já foram aplicadas na tentativa de solucionar pontos de conflito; o pedágio apareceu como uma das últimas, enquanto aqui nunca se tentou coisa alguma. “O caso de Cuiabá é muito mais primário”, explica Haute. Já o professor Eldemir de Oliveira, da UFMT, nem precisa entrar na questão técnica para não se entusiasmar com a ideia. Ele pondera o pedágio com a simples lembrança de que o modelo só seria conveniente se fosse acompanhado de algum salto significativo na qualidade da estrutura; e nem o IPTU tem sido capaz de promover tais melhorias até hoje. “A cidade já custa muito. Vai custar mais ainda?”. REESCALONAMENTO - Um dos principais trechos que engarrafam diariamente em Cuiabá é especialmente encarado pelos servidores públicos que aqui vivem: a avenida do CPA. Responsável por dar fluxo aos veículos que saem do Centro Político Administrativo, a via fica estressante ao final do dia, no fim do expediente público. Em cidades como Washington (EUA), tal efeito é amenizado por meio do reescalonamento de horários de entrada e saída nas repartições. Com diferentes horários, o trânsito se distribui e mina a lentidão. Para Haute e Oliveira, a intervenção é até interessante, caso conte com o devido planejamento, mas seria difícil esperar articulação tão complexa por parte da integração entre os órgãos públicos estaduais e municipais, pondera o secretário. “Isso nunca foi discutido”, pontua, lembrando a multidão de pessoas que, em sua rotina, se sentiriam prejudicadas com tal mudança. A reportagem procurou o secretário estadual de Administração, Geraldo de Vitto para comentar a possibilidade de implantação da medida, mas não obteve resposta. (RD)

Edição EDIÇÃO 16967




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