CIDADES
Sábado, 06 de Dezembro de 2008, 12h:53
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PEDAGOGIA
Curso que forma educadores é preocupação
Enade já demonstrou, em 2005, que mais da metade das faculdades de MT obteve resultados aquém do necessário. Estudiosos da educação apontam causas
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Em Mato Grosso o resultado do Exame Nacional de Estudantes (Enade) realizado em 2005, quando um dos cursos avaliados foi o de Pedagogia, preocupa educadores do Estado. Isso porque das 26 instituições de ensino superior que oferecem o curso no Estado e, portanto, formam responsáveis pela educação local, 53,84% delas (14) obtiveram notas igual ou inferior a dois. Dentre elas, a Faculdade Afirmativo (1) e a Faculdade Integradas Cândido Rondon (2), que já tiveram os cursos de Direito e Administração suspensos, respectivamente, após passarem pelo mesmo processo de avaliação. Tal resultado, somado com o Indicador de Diferença entre Desempenhos Observado e Esperado (IDD) que é a diferença entre o desempenho médio do concluinte de um curso e o desempenho médio estimado para os concluintes desse mesmo curso, representando, portanto, quanto cada curso se destaca em média é considerado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) como insatisfatório, ou seja, de baixa qualidade. A nota máxima que uma instituição avaliada pode alcançar é cinco. O curso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) obteve nota 4 e a da Universidade de Cuiabá (Unic), 3. Os resultados entre 3 e 5 são considerados pelo MEC como satisfatórios. Para o professor da UFMT e doutor em Filosofia da Educação, Antônio Carlos Maximus, o resultado do Enade quanto à Pedagogia é um dos reflexos da falta de investimentos do governo, mas, principalmente, das instituições privadas quanto a um ensino superior de qualidade no país. É verdade que as licenciaturas em Mato Grosso são de baixa qualidade, ressalvadas algumas. E o curso de Pedagogia, que é responsável por formar educadores, está nessa vala comum, classifica Maximus. Conforme o professor, o resultado do Enade aponta ainda outros dois agravantes no ensino superior. Primeiro, conforme ele, seria a forma como o curso de ensino a distancia é aplicado. Não há nenhum doutor ou mestre à frente dessa modalidade de ensino. Os estudantes são orientados por mediadores sem qualificação, destaca. Ainda de acordo com Maximus, o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), responsável por realizar o Enade, identifica que os piores cursos de ensino superior são aqueles oferecidos em instituições privadas, e isso, segundo ele, seria o segundo agravante. Nenhuma universidade privada consegue oferecer ensino de qualidade sendo custeada somente com a mensalidade, frisa. Conforme o especialista, para que uma universidade consiga oferecer ensino de qualidade, ela deve investir em pesquisa, biblioteca, laboratórios e, principalmente, em professores qualificados. As universidades acabam propondo somente o trivial, afirma. Em novembro, a antropóloga Eunice Durham, do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), revelou o resultado de uma pesquisa realizada por ela, em âmbito nacional. Conforme a pesquisadora, o estudo aponta que as faculdades de Pedagogia são a raiz do mau ensino nas escolas brasileiras. Ela diz que os atuais cursos de Pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico em sala de aula, ensinar a matéria. No entanto, segundo Maximus, o problema está no ensino superior como um todo, não somente no curso de Pedagogia.