CIDADES
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008, 21h:37
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HABITAÇÃO
Cuiabá tem 7,5 mil moradias em risco
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Nos últimos três anos, mais de 3 mil casas foram construídas em Cuiabá para abrigar famílias carentes e que residiam em áreas de risco ou de proteção permanentes (APPs). Mas ainda há aproximadamente 7,5 mil que vivem ao longo das 21 micro-bacias que cortam a cidade ou em assentamentos considerados precários. A meta da Agência Municipal de Habitação Popular (AMHP) é transferi-las para conjuntos habitacionais com a infra-estrutura necessária nos próximos cinco anos. Para isso, um vídeo-documentário em bilíngüe (português e inglês) com depoimentos das famílias cuiabanas que vivem ao longo destes córregos foi mostrado ao governo federal, por meio dos Ministérios das Cidades e da Integração, e será exibido ao Banco Mundial. O intuito é adquirir recursos para a construção de novos conjuntos habitacionais. O plano é para os próximos cinco anos. Com isto estaremos resolvendo duas questões angustiantes, sendo uma delas a social e a outra ambiental, disse o presidente da AMHP, João Vieira. As casas construídas na cidade são em parceria com a Caixa Econômica Federal, governo do Estado e Ministério das Cidades. Algumas obras deverão ser iniciadas ainda neste ano. Uma delas é o Residencial Senador Jonas Pinheiro, próximo ao bairro Três Barras, que irá abrigar 700 famílias. Os recursos oriundos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) são da ordem de R$ 20 milhões. São famílias que moram na faixa de risco do córrego Gumitá, observou Vieira. Depois da transferência, toda a área será recuperada. Há ainda o projeto do Villa Real Senhor Bom Jesus do Cuyabá, considerado o maior programa habitacional já realizado em Mato Grosso. Serão 20 mil novas unidades habitacionais dentro dos mais modernos conceitos urbanísticos. Além disso, os funcionários públicos municipais e estaduais serão beneficiados com a construção de 718 unidades habitacionais na região Norte da capital. Quem já foi beneficiado reconhece que a vida melhorou. Um exemplo são os moradores do residencial Milton Figueiredo, localizado na rodovia Emanuel Pinheiro (saída de Cuiabá para Chapada dos Guimarães). Inaugurado em abril passado, o conjunto abriga 266 famílias que moravam em áreas de preservação ambiental nos bairros Jardim Vitória, Águas Nascentes e São Mateus. Todas as áreas, antes ocupadas irregularmente, estão sendo recuperadas. Aqui a gente tem mais estrutura, água encanada e energia, diz um morador que pediu para não se identificar. Isso porque ele denuncia que problemas antigos, que já existiam no seu bairro de origem, persistem no conjunto habitacional. Falta segurança. À noite, acontecem tiroteios, completou outra moradora. E não é só isso. Moradores relatam casos de adolescente, inclusive, meninas que ficam em bar ou lanchonete até a madrugada. Elas ficam rodeadas por homens de todas as idades que ficam jogando e bebendo, contou um dos moradores. A polícia deveria passar aqui mais vezes, principalmente, de madrugada, pedem. Segundo João Vieira, em todos os programas federais é feito um trabalho social pós-habitacional que, ao identificar casos como estes, encaminha meninos ou meninas para projetos como o Siminina ou mesmo de qualificação. João Vieira informou ainda que foi feito um acordo com as 10 famílias que invadiram casas no residencial Coronel Estevão Torquato, no bairro Jardim Paraná. Os invasores irão receber casas que estão sendo construídas no próprio local e as moradias que estavam ocupadas serão entregues às famílias beneficiadas no Programa Habitar Brasil Bid (PHBB).