CIDADES
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010, 21h:32
A
A
DIA DE LUTA
Cuiabá tem 15 novos casos de AIDS ao mês
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Cuiabá registra média mensal de 15 casos novos de pessoas infestadas com o vírus HIV, causador da AIDS, na rede municipal de Saúde. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde, Mato Grosso registrou, entre 1989 e 2010, 8.930 casos da doença. Atualmente, na Capital cerca de 1,5 mil pessoas recebem tratamento para a doença, por meio do Serviço de Assistência Especializada. Hoje, 1º de dezembro, é o Dia Mundial da Luta contra a AIDS. Neste ano, o tema escolhido para a campanha de conscientização é o preconceito. O público alvo para a campanha deste ano são homens e mulheres com idade entre 15 e 24 anos, com prioridade nas populações de baixa renda. O preconceito apresenta-se como uma das maiores barreiras para quem vive com AIDS, interferindo até na adesão ao tratamento, disse a técnica da Coordenadoria Estadual de DST/AIDS e Hepatites Virais, Marlene Plaster. Nos últimos 21 anos, a maior parte dos casos da doença em Mato Grosso foi registrada em pessoas com mais de 13 anos de idade, com 6.521 casos. Entre os menores de 13 anos, 197 pessoas foram infectadas. Entre as gestantes foram detectados 992 casos. O médico Ivens Cuiabano Skaff, professor de Infectologia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e na Universidade de Cuiabá (UNIC), disse que a mortalidade por causa da doença caiu muito, mas ainda existe. O diagnóstico e tratamentos precoces ainda são garantia de melhor qualidade de vida, afirmou. Skaff explicou que a AIDS, por si só, não mata. O que acontece é que o vírus diminui muito as defesas do organismo, fazendo com que o paciente seja mais vulnerável a outras doenças. Com a imunidade baixa, a pessoa não consegue reagir contra enfermidades, explicou. As infecções mais comuns são pneumocistose (pneumonia causada por fungo), tuberculose, neurotoxoplasmose e meningite por fungos. O médico também faz um apelo para as grávidas portadoras do vírus HIV. Se a futura mãe não faz o tratamento contra a doença, a chance de o bebê nascer portador do HIV é de 22 em 100 casos. Quando a grávida toma os medicamentos apropriados, essa probabilidade cai para 1 em cada 100 casos, assinalou. O coquetel de tratamento da doença pode ser adquirido gratuitamente na rede pública de saúde. No entanto, aponta Skaff, Mato Grosso ainda tem poucos leitos disponíveis para eventuais internações. O paciente consegue o remédio de graça, mas se o quadro de saúde piorar e ele precisar de internação, infelizmente corre o risco de ficar na fila de espera por um leito, afirmou. O diagnóstico da contaminação com o vírus HIV pode ser obtido através da procura pelos Centros de Triagem e Aconselhamento (CTA), onde profissionais especializados atendem a população e encaminham para tratamento.