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CIDADES
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009, 22h:05

OPERAÇÃO VOLVER

Conversas telefônicas dão conta de corrupção

Interceptações feitas pela PF são indícios de que advogadas ‘negociavam’ favorecimentos

KEITY ROMA
Da Reportagem
Interceptações telefônicas realizadas em ligações de supostos integrantes da quadrilha desarticulada durante a Operação Volver apontam indícios de corrupção no Judiciário de Mato Grosso pelo bando e de “tráfico” de influência realizado pelas advogadas presas durante a ação da Polícia Federal, Kattleen Káritas Dias e Lucy Silva. Outro advogado também é citado em possíveis negociações de sentença. A quadrilha de tráfico internacional de drogas era liderada por Everton Cândido Gomes da Silva, vulgo “Pupunha”, de 20 anos. Conversas telefônicas entre o traficante e Kattleen levantam a suspeita sobre a atuação da advogada, apesar dos diálogos serem vagos, claramente temendo interceptações. A defensora tratou com o cliente, durante as ligações, negociações para evitar o decreto de uma prisão preventiva contra ele. Para evitar o pedido de prisão, Pupunha se dispôs a pagar mais de R$ 50 mil. O advogado José Ricardo Corbelino teria intermediado as negociações com servidores do Judiciário. Ele já foi assessor de um desembargador do Tribunal de Justiça, segundo o relatório da Polícia Federal. Para deixar a prisão seis meses após ser preso com quatro quilos de cocaína, Pupunha teria gasto cerca de R$ 200 mil. As conversas com Kattlen deixam clara a tentativa do réu em conseguir dinheiro para quitar as dívidas provenientes de sua liberação. Os iminentes pedidos de prisão preventiva são usados como ameaça para que Pupunha quite a dívida com os “auxiliares”. Além da suspeita sobre ações no TJ, há também suspeitas sobre a influência na 3ªVara Criminal de VG. “Juntamente (Corbelino) com Kattleen realizava a cobrança e prometia “arrumar” a situação penal de Pupunha. Verificou-se que os desvios praticados pela advogada eram freqüentes e cada vez mais perigosos, em diversos diálogos se observa a passagem de crédito de celular para presos, envio de chip de celular, solicitação a companheiros de profissão, que chamassem clientes dela na sala de entrevista do presídio e lhe passassem o telefone”. Ela ainda repassaria informações a clientes como, para se esconder por haver prisão preventiva decretada, segundo o relatório da PF. Com o não pagamento de Pupunha a José Ricardo, Kattleen passou a ser pressionada por ele, que alegava não poder mais pedir “favores” aos ajudantes por conta da dívida. Os telefonemas deixam claro o envolvimento da defensora com Pupunha na cobrança do dinheiro a ser repassado para Corbelino. O advogado de Kattleen, Everaldo Júnior, afirmou que houve apenas uma relação profissional efetiva entre ela e Pupunha. Ele descartou tráfico de influência. “Quanto à origem do dinheiro que pagará os honorários não é preocupação do advogado, mas sim do Estado, que tem que combater os crimes”, disse ele.

Edição EDIÇÃO 16967




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