Contingente de afetados será maior nos países mais pobres
Ao influenciar alterações no clima, o aquecimento global acarreta também uma série de efeitos sociais. Muitos deles estão previstos na segunda parte do relatório do IPCC, que trata de impactos, adaptação e vulnerabilidade. Mantidas as atuais projeções, dizem os cientistas, milhões de pessoas serão atingidas diretamente pela elevação no nível dos oceanos. Ou por secas devastadoras nas áreas destinadas à agricultura. Haveria um grande contingente de desabrigados. Alguma adaptação a este panorama é possível em alguns casos, inevitável - mas a um custo inacessível a países pobres. No caso de regiões à beira-mar, por exemplo, isso implicaria na realocação de grandes populações das áreas em risco. A adaptação para as regiões costeiras será mais difícil nos países em desenvolvimento. O número de pessoas afetadas será maior nos megadeltas da Ásia e África e pequenas ilhas estarão especialmente vulneráveis, diz o texto. Há ainda grande possibilidade de queda de produtividade e mesmo a desertificação de áreas agricultáveis, o que ampliaria o contingente de subnutridos. Projeta-se uma queda em algumas importantes culturas e também da pecuária, com conseqüências para a segurança alimentar. Em documento publicado na internet, a ong Greenpeace avalia que as mudanças climáticas são graves, mas também injustas, na medida em que seus efeitos serão mais drásticos para as populações de baixa renda. Nas últimas duas décadas, o número de pessoas afetadas por eventos climáticos extremos e outros desastres naturais triplicou. A maior parte vive em países em desenvolvimento, nas regiões mais vulneráveis e menos preparadas para enfrentar esta situação de risco. Ao considerar os custos da mitigação, segundo a entidade, os governantes deveriam contabilizar as crises econômicas que virão na esteira de secas, enchentes e do aumento da incidência de doenças como a malária. A urgência de uma ação imediata não pode ser ignorada (...) Tais fenômenos envolvem milhões de refugiados ambientais, gerando também uma crise social de grandes proporções. Reduzir as emissões de gases poluentes de forma drástica é a única maneira de assegurar um futuro menos conturbado. Devemos não somente minimizar os danos ocasionados pela mudança do clima, mas também propor medidas de adaptação para as regiões mais vulneráveis. (RV)