Os ecossistemas naturais da Amazônia e do Pantanal apresentam um alto grau de vulnerabilidade à variabilidade e mudança de clima. Eventos climáticos extremos, como secas induzidas pelo aquecimento global e pelo desmatamento, podem dividir a Amazônia em duas e transformar em Cerrado uma área de 600 mil quilômetros quadrados. O trecho acima consta do estudo Mudanças Climáticas Globais e seus Efeitos sobre a Biodiversidade, lançado no ano passado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e que aponta as principais tendências para as regiões brasileiras mais vulneráveis. Sobre a Amazônia, o estudo avalia que o risco de savanização é maior nas áreas mais sensíveis à seca e com padrões de chuva idênticos aos do cerrado uma faixa que vai de Tocantins à Guiana e atravessa a região de Santarém (Pará), totalizando 11% da floresta. Essa Amazônia seca possui vegetação com maiores índices de evapotranspiração, e seus solos tendem a ficar mais secos durante os meses sem água do que solos de regiões muito úmidas. Isso a torna muito mais vulnerável a incêndios florestais, o principal agente de conversão de floresta em savana. Sobre o Pantanal, o estudo diz que o bioma funciona como um gigantesco mecanismo natural de controle das enchentes do rio Paraguai. Se houver qualquer mudança na vazão da bacia, este sistema de contenção ficará comprometido. Qualquer aumento significativo da vazão, resultante de alterações climáticas ou do desmatamento, irá afetar negativamente a capacidade de retenção e controle desta grande área alagada. O relatório reconhece que há grande dose incerteza a respeito das anomalias a serem sentidas no Pantanal os diferentes modelos utilizados nas previsões em longo prazo apresentam resultados às vezes conflitantes. Para a região do Pantanal, o padrão de anomalias de chuva e de temperatura não é tão coerente como aqueles do Nordeste ou da Amazônia. (...) alguns dos modelos mostram aumento de chuva e outros apresentam redução de chuvas. Mas, ainda que não seja possível prever o futuro, é inevitável uma correção de rumos imediata. O relatório sugere mudanças radicais nas formas de uso e ocupação do solo no Cerrado, Pantanal e Amazônia. O Brasil precisa repensar seus caminhos. Não pode continuar contribuindo com cerca de 4% do total mundial de emissões de gases, que nos colocam entre os principais emissores. Precisam-se de mudanças radicais nas políticas amazônicas!. (RV)