NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Segunda-feira, 21 de Julho de 2008, 21h:09

INTECOL

Conferencista condena a agricultura

Primeiro dia da Conferência Internacional de Áreas Úmidas debate produção e preservação; governo federal centro de pesquisas do Pantanal

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
O professor australiano Max Finlayson afirmou ontem que a agricultura é a maior responsável pela degradação do ecossistema no mundo. Finlayson é diretor do Instituto para a Terra, Água e Sociedade, da Universidade Charles Sturt (Austrália) e participa do 8° Intecol (Conferência Internacional de Áreas Úmidas), cujo tema este ano é “Grandes Áreas Úmidas, Grandes Preocupações” (“Big Wetlands, Big Concerns”). A Conferência se estende até sexta-feira, no Centro de Eventos do Pantanal. O professor afirma que ainda são poucos os estudos no mundo a respeito de áreas úmidas (“wetlands” em inglês) como o Pantanal, sendo necessárias análises antes de qualquer atividade agrícola nessas regiões. Por ano, diz Finlayson, a perda de espécies aquáticas das áreas úmidas, animais e vegetais, é maior do que na floresta Amazônica. A intervenção da agricultura nessas áreas, portanto, deve ser medida de acordo com o volume das colheitas e da pesca, o volume de água a ser drenado e o número de animais criados. “Estamos tentando administrar a terra para as pessoas e para a própria natureza”, afirma o professor ao defender a agricultura sustentável. O impacto da agricultura, porém, é capaz de transformar áreas úmidas em desertos, como aconteceu na Mesopotâmia, no Oriente Médio. Drenagem e irrigação, segundo Finlayson, são interferências que geralmente acarretam em salinização. Finlayson tem trabalhos de ecologia e biodiversidade em áreas úmidas da Austrália, Ásia, Europa e África. Essas áreas, segundo ele, oferecem recursos como água, peixes e solo rico em nutrientes. A agricultura com agrotóxicos e o aquecimento global, diz o professor, significariam uma perda econômica para as empresas locais. Paulo Teixeira, coordenador-geral do 8° Intecol e pró-reitor de Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirma que esta edição do evento deverá contribuir para a prática de exploração sustentável das áreas úmidas, assim como para atenuar os efeitos que as mudanças climáticas podem ter no ecossistema. Mauro Norberto, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia e presente na solenidade de abertura do 8º Intecol neste domingo, anunciou a implementação em Mato Grosso, pelo Governo Federal, do Centro Nacional de Pesquisas do Pantanal (CNPP). Cerca de R$ 8 milhões devem ser investidos para a implantação em cinco anos. O Intecol acontece a cada quatro anos e sua última edição foi na Holanda. Este ano, 500 pessoas estão inscritas para participar da programação, representando cerca de 25 países.

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL