Se não fossem as graves dificuldades adicionais, a vida num assentamento como o Nossa Senhora da Esperança não seria tão diferente da rotina comum na zona rural. Entretanto, ali se estabeleceram problemas básicos que comprometem não só o dia-a-dia, mas a perspectiva de um povo que busca se projetar no futuro num espaço seu. São questões que preocupam o casal de assentados Joana Rodrigues, 45 anos, e Amorésio Santos da Cruz, 55, que querem ver os filhos vivendo no mesmo pedaço de chão no futuro. Até lá, o sonho é de que problemas como a falta de renda, saúde e educação devem ser superados. A falta de renda é um exemplo da sina imposta pelo isolamento. Joana explica que simplesmente não há como escoar a produção da comunidade, que hoje se limita à agricultura de subsistência. A saúde é outro entrave. Até setembro do ano passado, havia visitas mensais de médicos do município de Rosário Oeste, escala que não é mais obedecida. Para o quesito, pelo menos, o prefeito Joemil Araújo tem uma resposta, admitindo carência de profissionais, mas adiantando que uma equipe do Programa de Saúde da Família (PSF) passará a atender a região, que compreende outros assentamentos e propriedades. O prefeito também anuncia uma nova escola para os assentados, da qual duas salas já estão concluídas. Atualmente, o ensino fundamental, oferecido numa casinha de palha, mal consegue alfabetizar as crianças. O garoto Demilson, 11 anos, é um exemplo. Ele está na 2ª série e se cala diante do pedido para que soletre o próprio nome. (RD)