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CIDADES
Sexta-feira, 07 de Agosto de 2009, 21h:25

SANGUESSUGA

Conclusão da PF acontece após 3 anos

Resultado, ainda parcial, aponta 435 envolvidos: 71 ex-prefeitos de MT, 33 ex-parlamentares federais e ex-assessores. Dez já condenados no Estado

KEITY ROMA
Da Reportagem
Três anos após a deflagração da Operação Sanguessuga, a Polícia Federal (PF) está prestes a concluir toda a investigação, realizada por etapas e que até agora levou a condenação de 10 pessoas em Mato Grosso. Com a conclusão da segunda fase das apurações, 435 envolvidos foram indiciados pela corporação, sendo 71 ex-prefeitos mato-grossenses, 33 ex-parlamentares federais e os demais ex-assessores. O esquema causou um prejuízo de R$ 15 milhões aos cofres públicos na compra de mil ambulâncias para diversos municípios do país, todos por meio do Grupo Planam. Os proprietários da empresa, Darci Vedoin, e o filho, Luiz Antônio Vedoin, ainda não foram julgados, mas aderiram à delação premiada para revelar a quem pagavam propinas. No ano de 2004, a PF instaurou 70 inquéritos para apurar denúncias de um esquema criminoso de liberação de emendas parlamentares para compra de ambulâncias superfaturadas para prefeituras de seis estados e do Distrito Federal. O principal destino das aquisições era Mato Grosso. Durante a operação, realizada no dia 4 de maio de 2006, 48 pessoas foram presas, quando se encerrou a primeira fase com foco nos empresários beneficiados. A segunda etapa das investigações começou em agosto de 2006, com o envio de documentos e materiais apreendidos para a Procuradoria Geral da República e para a PF de Brasília, que criou uma força-tarefa para apurar os crimes com foco nas prefeituras. As investigações que não concluídas foram encaminhadas em 2007 para a Superintendência da PF em Mato Grosso, inclusive com os dados referentes a parlamentares que encerraram o mandato e perderam o foro privilegiado. Os políticos que ainda exercem cargos públicos são investigados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, o delegado federal Paulo Repeto concluiu 128 inquéritos e deve encerrar nas próximas semanas os oito que restaram. Segundo assessoria de imprensa do Ministério Público Federal (MPF), parte dos inquéritos encaminhados já foi examinada, sendo que 285 pessoas foram denunciadas. Entre os ex-parlamentares do Estado denunciados figuram Celcita Pinheiro, Lino Rossi, Pedro Henry, Ricarte de Freitas e Carlos Bezerra, cuja denúncia foi arquivada pelo STF. Na Justiça Federal em Mato Grosso as 10 condenações resultantes da operação são pelos crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, fraude a licitação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Quatro pessoas foram absolvidas e uma denúncia, rejeitada. O ex-deputado federal Lino Rossi foi considerado um dos articuladores do esquema, que beneficiava a empresa Planam. Os parlamentares e assessores envolvidos realizavam emendas individuais para compra de veículos superfaturados para prefeituras adeptas do esquema, que realizavam licitações fraudulentas para beneficiar a família Vedoin. Os beneficiados pagavam propina aos políticos envolvidos, que receberam o dinheiro nas próprias contas bancárias ou de terceiros com os quais tinham ligação.

Edição EDIÇÃO 16962




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