CIDADES
Sábado, 24 de Maio de 2008, 13h:59
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PICO DO AMOR
Comunidade da Guia tem luz apenas a partir de projeto com uso do hidrogênio
Pacata comunidade do Distrito da Guia conheceu a energia elétrica há pouco mais de 2 meses, através de usina que obtém matriz a partir do álcool
ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
A pacata comunidade rural Pico do Amor, localizada a 85 quilômetros de Cuiabá, pouco depois do Distrito de Nossa Senhora da Guia, passou a receber energia elétrica pela primeira vez há pouco mais de dois meses. O fato, quase que impensável em pleno século XXI, aconteceu graças a um projeto pioneiro que produz energia através de uma usina de hidrogênio, obtido por um processo químico a partir do etanol (álcool). O projeto piloto se iniciou em 2005 e hoje beneficia aproximadamente 60 pessoas de 12 famílias que vivem na região. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Eletronorte, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade da Campinas (Unicamp), em São Paulo. A idéia surgiu com a pretensão de atender comunidades rurais que estão em posição geográfica de difícil acesso para a execução do Programa Luz pra Todos, do governo federal, que leva energia elétrica para o campo. Na comunidade Pico do Amor, as famílias, bastante humildes, vivem da agricultura de subsistência e da criação de animais, como galinhas e porcos. Como parte do Projeto, em cada casa, foram colocadas placas de energia solar para abastecer as residências. A energia gerada pelada usina é utilizada apenas para a iluminação das áreas comuns e da bomba de água que abastece o Centro Comunitário construído pela prefeitura há pouco tempo no local. O gerente de projetos da Eletronorte, Vlamir Marques, diz que o objetivo agora é aumentar a potência da usina, que hoje é de 5 kW, para que ela possa abastecer uma cooperativa de alimentos para gerar renda à comunidade. Esse é o lado mais importante: o social, explica. Outro fator importante do Projeto é a questão ambiental. No processo de combustão do hidrogênio, não há liberação de gases tóxicos que afetam o meio ambiente. Na combustão, o hidrogênio se mistura com o oxigênio do ar e gera a energia. Nesse processo são liberados apenas vapor e água. Não há poluição, afirma o pesquisador da Unicamp, João Agripino da Silva. Para garantir o funcionamento, a comunidade recebe doação de álcool do Sindicato das Empresas Alcooleiras (Sindal). É através dele que conseguem extrair o hidrogênio. No entanto, outro passo da pesquisa é conseguir obter o elemento de outras substâncias. O hidrogênio é um dos elementos mais abundantes do universo. Quase tudo na Terra tem, destaca Silva. Na usina, há um tanque reservatório de álcool, um aparelho desenvolvido pelos pesquisadores que extrai o hidrogênio do etanol e uma máquina de combustão. Toda a estrutura é avaliada em mais de R$ 500 mil. Os pesquisadores também trabalham na capacitação dos moradores para que eles mesmos possam dar manutenção periódica e manter a usina funcionando. O presidente da Associação de Moradores da Comunidade Pico do Amor, Aluízio de Arruda, de 45 anos, é quem administra e faz a manutenção do prédio onde estão instalados os equipamentos. Ele guarda, a sete chaves, as chaves e os controles dos equipamentos. Agora, a gente tem que cuidar pra que ela continue melhorando a nossa vida, diz. Além de estudar a expansão do sistema elétrico nesta comunidade, os estudiosos também avaliam a existência de outras comunidades rurais que têm o perfil e condições técnicas para receber o Projeto.