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CIDADES
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 20h:17

BLOQUEIO INDÍGENA

Comissão vai a Brasília e manifesto fica suspenso

TAUANA SCHMIDT
Da Reportagem/Sinop
Uma comissão de 42 índios das tribos enawene-nawe, kayabis, mykys, rikbaktsa, irantxe, cinta-largas, kawahiva e canoeiros, do noroeste do Estado, devem chegar hoje a Brasília para negociar com a Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e Ministério do Meio Ambiente medidas a favor das reivindicações feitas na semana passada, durante bloqueio da ponte do rio Juruena entre Juína e Brasnorte, na MT-170. As questões fundiárias, hospitalares e financeiras sustentam as reivindicações. Conforme informações do chefe da Funai de Juína, Antônio Carlos, permanecem às margens da rodovia cerca de 400 índios que devem retomar o bloqueio caso nenhuma negociação seja feita em Brasília. “Estão todos acampados às margens do rio e da rodovia. Todos afirmam que voltarão a se manifestar se nenhum de seus pedidos for atendido”. A reunião de hoje foi marcada após a ida de uma comissão do governo de Mato Grosso e da Funai de Cuiabá ao local. Na sexta-feira, a juíza da 2ª Vara Cível de Juína, Geovana Pascoal, expediu liminar para que os índios desbloqueassem a rodovia, mas a medida não foi cumprida por causa da área de jurisdição de Juína, que termina na divisa do município, o rio Juruena. O desbloqueio só então foi possível após as negociações diretas com representantes do governo e fundação. O manifesto começou na última quinta-feira, às 5h, e só terminou no sábado, por volta do meio-dia. A manifestação foi pacífica, sem presos ou feridos. Entre as reivindicações dos índios estão a criação de grupos técnicos para estudos e revisão de áreas; criação da Administração Executiva Regional em Juína, para dar autonomia administrativo-financeira à região; transferência dos Atendimentos de Saúde Indígena (DSEI) de Cacoal (RO) para Juína (MT); aplicação de 40% dos recursos do ICMS ecológico diretamente nas áreas indígenas; realização de estudos de impactos ambientais referentes a rodovias e instalação de Pequenas Centrais Hidroelétricas na região, entre outras. Todas as cobranças já estariam sendo feitas há mais de dez anos pelos povos indígenas do noroeste. Há cerca de um mês foi enviada uma carta à presidência da Funai, elaborada pelos líderes indígenas e contendo todas as cobranças, mas nenhuma resposta havia sido passada pelas autoridades competentes.

Edição EDIÇÃO 16961




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