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CIDADES
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008, 21h:14

MICOBACTÉIRA

Comissão de MT vai ao DF por providência

Representados por advogada, pacientes entregaram ao ministro da Saúde inquérito aberto pelo MPE sobre casos locais e exigiram medidas enérgicas

ALECY ALVES
Da Reportagem
Cuiabanos cobraram em Brasília (DF), durante reunião com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o diretor presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Dirceu Raposo de Melo, medidas contra hospitais e médicos que realizaram procedimentos cirúrgicos resultantes nos 50 casos de infecções por micobactéria de crescimento rápido (MCR) já confirmados no Estado. A advogada Vanessa de Oliveira Novais de Carvalho participou do encontro representando as vítimas. Ele é advogada de pelo menos 10 pessoas que se contaminaram com a MCR nos hospitais Jardim Cuiabá e Santa Rosa durante vídeocirurgias plásticas (como lipoaspiração e implante de próteses mamárias), apêndice, redução de estômago e outras. Vanessa Carvalho entregou ao ministro Temporão uma cópia do inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Estadual e que, durante mais de um ano, desde maio de 2007, investiga os casos de infecção por MCR e a responsabilidade dos hospitais e médicos. No documento, constam os nomes dos pacientes, fotografias, data, tipo e onde cada um fez a cirurgia, além de depoimentos dos pacientes e técnicos da saúde pública. Mostra, também, a situação dos pacientes e as dificuldades enfrentadas pelas famílias para obter atendimentos nos hospitais onde foram contaminados. No encontro, estiveram presentes membros da comissão de pacientes infectados por MCR de estados como Espírito Santo, onde foram registrados mais de 250 casos e já estão proibidas cirurgias por equipamentos de vídeo, além de outros estados e Mato Grosso. De acordo com Vanessa Carvalho, os pacientes querem, entre outras exigências, que sejam de notificação obrigatória todos os tipos de infecção hospitalar. Hoje, explicou ela, há um consenso sobre a necessidade da notificação, mas não é obrigatória. Outra reivindicação é para que os materiais cirúrgicos passem por pesquisas detalhadas para avaliar resistência, tempo ideal de reutilização com segurança à saúde, maior rigor na fiscalização e uma forma mais eficaz de esterilização dos equipamentos. A expectativa dos pacientes é que, a partir de agora, com a suspensão das cirurgias no Espírito Santos e a repercussão dos casos na mídia nacional, a fiscalização seja intensificada. O ministro, segundo Vanessa Carvalho, prometeu analisar a documentação recebida. E, ainda, agendou para novembro um congresso nacional sobre infecção hospitalar, dedicando um dia de debate exclusivo sobre MCR com especialistas nacionais e internacionais.

Edição EDIÇÃO 16968




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