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CIDADES
Segunda-feira, 15 de Junho de 2015, 19h:50

CENTRO POP

Comerciantes comemoram desativação

O fechamento da unidade especializada de atendimento ao morador de rua fez cair o índice de roubos e furtos no centro de Cuiabá

YURI RAMIRES
Da Reportagem
O aumento do número de moradores de rua é visível e sentido no dia a dia do cuiabano. O fluxo dos pedintes nos semáforos, por exemplo, mostra que a situação é alarmante. Há um ano fechado, o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro Pop, deixou de atender essa demanda, que agora é tratada de forma superficial em meio aos outros serviços de Assistência Social. O local, antes instalado na Rua Pedro Celestino, foi fechado devido ao aumento do número de ocorrências de furtos e roubos, que segundo os comerciantes e policiais eram cometidos pela população assistida pelo Centro Pop. O Diário esteve no local e constatou o abandono da estrutura: vidros da porta já estão quebrados, por dentro, muita sujeira e roupas esquecidas em meio à poeira. Apesar disso, para os comerciantes da região, o fechamento foi um alívio. Vera Lúcia Mendes, que trabalha em uma loja do entorno, relatou que na época em que o centro estava em funcionamento, quando chegava cedo ao trabalho, encontrava os assistidos espelhados pelas calçadas. “No começo assustou os funcionários e até mesmo os clientes. A gente tinha medo, mas depois fomos nos acostumando. Mas era evidente que eles cometiam furtos por aqui, já testemunhamos vários”, lembrou. Por outro lado, ela entende que pessoas de bem, que estão nessa situação vulnerável, acabam perdendo o auxilio. “Fecharam, mas deveriam abrir em outra localidade, para que esses serviços sejam oferecidos novamente, infelizmente tem gente inocente que paga pelos erros dos outros”. A questão é que o centro atendia morador de rua, seja ele usuário de entorpecente ou não. Entretanto, muitos iam até o local, alimentavam-se e, em seguida, saíam para praticar furtos e roubos para sustentar o vício. Na época, os mesmos comerciantes que solicitaram o fechamento da unidade pediram que ele fosse instalado em outro local, mais afastado. (Conforme o Ministério da Saúde, o Centro Pop deve ser instalado em locais de fácil acesso e de maior concentração de trânsito de pessoas em situação de rua na cidade). Ao Diário, a Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio da assessoria de imprensa, explicou que, apesar do fechamento, o atendimento a essa população continua. “O serviço é vinculado do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), através do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas)”. Porém, funciona apenas por meio de denúncias sobre pessoas em situação de rua. “O Seas realiza a visita in loco e, após a autorização dos mesmos, retira-os da rua e encaminha-os para as unidades de abrigamento”. Entretanto, um funcionário do Creas que pediu para não ser identificado, explicou que todos os trabalhos do Centro Pop eram voltados para essas pessoas. Agora, esse atendimento passa a ser só mais um dentro da grande demanda de atuação do Creas. ALBERGUES – A Prefeitura de Cuiabá não tem uma previsão de retomar os atendimentos do Centro Pop. A Secretaria de Assistência Social aguarda um repasse de R$ 2,6 milhões do Governo Federal para manutenção dos serviços já oferecidos nas unidades, impedindo a oferta de novos. Conforme a secretaria, atualmente os moradores de rua estão sendo encaminhados para os dois albergues existentes em Cuiabá, o Manoel Miraglia e o do Porto. Quando eles são usuários de drogas, são levados para uma das nove unidades terapêuticas mantidas pelo Município em parceria de instituições religiosas. Nos albergues, os moradores de rua têm atendimento psicossocial e de saúde, quatro refeições, reinserção familiar, encaminhamento para programas e projetos social e outros. “É importante ressaltar que o recolhimento compulsório dessas pessoas não ocorre em Cuiabá e, por isso, a Secretaria de Assistência Social não pode impedir que elas abandonem as unidades terapêuticas ou de abrigamento e voltem às ruas”, diz trecho da nota.

Edição EDIÇÃO 16967




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