CIDADES
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010, 20h:58
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FILA ZERO
Começam procedimentos cirúrgicos pelo SUS
Atendimento especializado a pacientes com problemas cardíacos iniciou ontem no Cinecor. Fila de 120 mil pacientes tem pelo menos 600 cateterismos
ALECY ALVES
Da Reportagem
Os pacientes que esperam por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para realização de exames e cirurgias mais complexos começaram a ser atendidos como parte da Fila Zero, uma ação do Programa de Aceleração do Atendimento na Saúde (PAS). O aposentado Modesto Rodrigues de Souza, 71 anos, morador de Várzea Grande, foi um dos primeiros a ser atendido. Ontem pela manhã, Souza passou por procedimento de cateterismo no Cinecor, um centro especializado em diagnóstico e tratamento cardíaco que funciona dentro do Hospital São Mateus. Nessa unidade hospitalar, 126 intervenções cirúrgicas similares serão realizadas pelo SUS até o próximo dia 23. Depois de sofrer dois infartos e passar quase seis meses entre idas e vindas em serviços de urgência e emergência de policlínicas, o aposentado conseguiu fazer o cateterismo. Para a filha Maria Alves, o agendamento da cirurgia veio como um grande alívio. A expectativa dela e das outras duas filhas de Modesto Souza é que apenas com esse procedimento o pai melhore a qualidade de vida e não necessite de cirurgias cardíacas. Conforme dados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Assembléia Legislativa, 120 mil pessoas estão na fila do SUS. Desse total, pelo menos 600 precisam fazer cateterismo, um exame realizado dentro do centro cirúrgico e que, em 80% dos casos, soluciona o problema do paciente. Nos outros 20%, conforme a cardiologista diretora do Cinecor, Ivone Nascente Gomes, indicam a necessidade de cirurgias maiores. Esse procedimento pode durar entre uma e seis horas e o paciente recebe alta no mesmo dia. Conforme a especialista, por agendamento o Cinecor poderia atender diariamente até cinco pacientes do SUS. Além disso, a unidade dispõe de serviços de urgência e emergência por 24 horas que também poderiam ser disponibilizados para o sistema público. Entretanto, mesmo sendo conveniada ao SUS desde 2008, a partir de agosto do ano passado, essa unidade deixou de receber pacientes da rede pública. Por causa disso, a clínica utilizava apenas 60% da capacidade instalada em serviços. Temos uma estrutura moderna, avançada que está subutilizada enquanto os pacientes esperam na fila, lamentou a especialista. O valor de R$ 700 é quanto o SUS paga pela intervenção que o aposentado foi submetido. Na rede particular esse serviço custaria pouco mais de R$ 2 mil. O deputado estadual Sérgio Ricardo, presidente da CPI da Saúde, disse que a retomada dos serviços de cardiologia do SUS é a primeira ação concreta do programa Fila Zero, lançado há duas semanas em Mato Grosso. Esse programa, disse o parlamentar, está entre as inúmeras recomendações apresentadas em relatório ao governador do Estado, Silvar Barbosa.