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CIDADES
Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011, 21h:07

ODONTOLOGIA

Clínica investigada em VG

Rapaz recém-formado na profissão é alvo de denúncia por já atender como dentista há 4 anos. Ele ainda não tem registro

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
O Conselho Regional de Odontologia (CRO) está apurando o suposto exercício ilegal da profissão num consultório da rua João Norberto, Centro de Várzea Grande. No local, sem identificação de consultório, um odontólogo formado no mês passado e ainda sem o devido registro profissional no Conselho atua há pelo menos quatro anos, oferecendo restauração, extração, dentadura, ponte móvel, tratamento de canal, limpeza e tratamento periodontal. Não é de hoje que o CRO está de olho no consultório em questão, cujo responsável, Lúcio Gonçalo do Nascimento, já foi alvo de processo administrativo. Informações do próprio CRO dão conta de que Nascimento comprou o ponto de um odontólogo devidamente registrado, manteve o nome na placa (depois retirada) e passou a atender há mais de quatro anos, mesmo sem formação (ele era auxiliar de protético). Embora estivesse ainda no início dos estudos para se tornar dentista numa faculdade particular, nada impediu que atuasse como tal. Ciente da situação por meio de denúncia, o CRO realizou vistoria no local em 2010, instaurou processo administrativo e apurou o caso. Segundo o presidente do CRO, Marcos Benedito Fava, na época não havia outra forma de tentar responsabilizar Nascimento senão passando o caso às autoridades policias e da Vigilância Sanitária (Visa) pelo fato de que, por não ter registro, Nascimento estava fora da alçada do CRO. Entretanto, mesmo com o repasse das informações às autoridades (a Visa também tem poder de polícia), nada aconteceu com Nascimento. Uma outra denúncia levou a uma segunda vistoria do CRO, que constatou que Nascimento, além de não estar atuando legalmente, trabalhava em ambiente sem condições de higiene e aparelhagem inadequadas (como a máquina para esterilização). Mas Nascimento continuou atuando e estudando até receber o certificado, em 28 de janeiro deste ano. Logo, ele requereu seu registro profissional junto ao CRO, processo que ainda será apreciado pelo plenário do Conselho na primeira sessão de março. “Mas mesmo que ele tenha dado entrada no processo, o certificado de conclusão de curso não permite que ele exerça a profissão antes do registro no CRO. Caberia processo ético por ele já estar formado”, declarou Fava, enfatizando que ainda deve apurar mais o caso. A reportagem esteve no Consultório Odontológico Humanista ontem com o pretexto de orçar um tratamento para tártaro. Chamaram atenção a ausência de identificação na fachada e a explicação de Nascimento, que ainda estaria aguardando o CRO confeccionar uma placa. Por telefone, ele explicou que já entrou com os papéis para registro no CRO, se disse vítima de perseguição do órgão e anunciou que o processará, enfatizando, irritado, que a lei lhe garante o pleno exercício da profissão por deter diploma. “A gente fica cinco anos numa faculdade e eles vêm com palhaçada aqui, pô! Registro profissional é o caramba!”.

Edição EDIÇÃO 16967




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