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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 25 de Outubro de 2014, 14h:10

DISPUTA POR TERRA

Clima tenso na Sesmaria Andrade

ALECY ALVES
Da Reportagem
Pequenos produtores denunciam tensão na disputa por terras entre os municípios de Poconé e Nossa Senhora do Livramento. Oito famílias que vivem há pelo menos um século nas margens do Rio Sangradouro denunciam que estão perdendo áreas para os herdeiros da família Metelo. Manoel das Neves de Campos, 62 anos, que diz ter nascido e crescido na área, observa que seus avós paternos Manoel Francisco Bispo e Antônia Paz de Campos, que morreram há mais de 60 anos, viveram em terras dentro da Sesmaria Andrade, como está identificada a área. Os avós assim como outros parentes dele estão enterrados no cemitério da comunidade São Gonçalo II, que fica dentro área em litígio. Em maio deste ano, “seo” das Neves obteve uma liminar a partir de uma ação que impetrou contra fazendeiro José Sebastião Metelo por causa da construção de cerca invadindo a posse dele e obstruía a estrada que dá acesso ao rio e moradias de outros parentes. Inicialmente, a juíza Adriana Sant’anna Coningham, da Vara Especializada de Direito Agrário, decidiu favorável às famílias determinando a reintegração de posse e proibição de demolição ou destruição de benfeitorias. No início deste mês, após vistoria na fazenda dos Metelo, a juíza reformou parcialmente a liminar. Na nova decisão, que teve como base a matrícula 17.778(registro do imóvel no cartório) Adriana Coningham restringiu a posse das terras dos das Neves, despencando de mais de 200 hectares para apenas dois, nas duas margens do rio. Acontece que a matrícula 17.778, conforme certidão do cartório do sétimo ofício de Registro Geral de Imóveis apresentada pelos pequenos produtores, refere-se a um lote no Jardim Cuiabá, em Cuiabá. Assim como Manoel das Neves, os parentes dele, Acimar de Lima, Anacleto Ferreira de Campos, Benedito e João Moisés Bispo denunciam que estão se sentindo acuados. “Teremos de escolher se ficamos na beira do rio ou com a casa, longe da água, sem nossas plantações e pastos”, reclamam. Já o cemitério, esse desaparecerá. Das Neves e seu sobrinho João Bispo destacam que não dispõe de registro das terras, mas também duvidam que o fazendeiro o possua. “São terras devolutas, públicas, nas quais estamos há muitas gerações”, reforçam. Eles ainda argumentam que a posse está reconhecida inclusive por órgãos federais, pois praticamente todas as famílias estão com financiamentos aprovados no Pronaf(Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e no ‘minha casa, minha vida’. Ao contrário do que escreve a juíza na segunda decisão, segundo ele, há anos o clima não é harmonioso na Sesmaria Andrada. Desde a morte de Antônio Gaiva Metelo, pai de José Sebastião Metelo, as famílias estariam em conflito. A demanda inclui queixas registraram na polícia por intimidação e ameaças.

Edição EDIÇÃO 16963




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