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CIDADES
Sábado, 05 de Junho de 2010, 13h:03

ALIMENTAÇÃO E HIGIENE

Cisticercose ainda acomete em MT

ALECY ALVES
Da Reportagem
A cisticercose, doença grave que atinge o sistema nervoso central, olhos e músculo a partir da contaminação dos ovos da Taenia solium, é mais comum do que se pode imaginar em Mato Grosso. A verminose é transmitida ao homem pelo consumo de carne, alimentos sem higiene adequada e água contaminada. Apesar de não haver dados específicos por não se tratar de uma doença de notificação obrigatória, o Estado é apontado entre aqueles com maior incidência, junto com Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Quando afeta sistema nervoso central, por exemplo, pode se manifestar com crises convulsivas, dores de cabeça e vômitos podendo evoluir para epilepsia e hidrocefalia. Nos os olhos, há riscos de levar a alterações na capacidade visual e até a cegueira. Foi por causa das crises convulsivas aparentemente inexplicáveis que a servidora pública Maria Aparecida Pereira de Jesus, 49 anos, descobriu, há cinco anos, que tinha cisticercose. Quando fez o diagnóstico, em um hospital no estado de São Paulo, Maria Aparecida já havia peregrinado dois anos entre hospitais e tratamentos ineficazes. Hoje, curada, ela diz que evita falar de uma fase que tantas lembranças tristes traz a sua família. Maria Aparecida conta que em muitos momentos se desesperava por não saber do que sofria. Nunca, relata a servidora, jamais imaginou que poderia contrair uma doença da qual sequer tinha ouvido falar. O médico do Programa de Saúde da Família, Wesley Peres, explica que o ciclo de transmissão da cisticercose mostra que essa é uma doença que está diretamente relacionada aos cuidados com a alimentação, condições sanitárias e aos hábitos de higiene da população. Portanto, quem vive em país como o Brasil ou estados como Mato Grosso, onde índices de tratamento de esgoto são baixos, além de atenção ao que consome é necessário pensar o tempo todo em doenças infectocontagiosas e parasitárias. Wesley Peres diz que quem consome carnes mal passadas ou cruas pode estar consumindo também a chamada “canjiquinha”, que são os ovos onde ficam as larvas da Taenia solium. Quando o ovo eclode no intestino forma a solitária, como é popularmente conhecida. Como o verme é hemafrodita, se autofecunda produzindo outros ovos que, eliminados pelas fezes em local não apropriado, chegam aos córregos e rios. Assim, consequentemente também chegam à mesa das residências nas hortaliças e outros alimentos. Quando ingeridos na comida, os ovos fecundados podem entrar direto na corrente sanguínea e, dessa maneira, chegar ao cérebro, olhos ou musculaturas. O porco e a vaca, diz Peres, são hospedeiros intermediários, igualmente imprescindíveis no ciclo vital do parasita, ou seja, hospeda o parasita para transmiti-lo ao homem. O ser humano também pode se autocontaminar por meio das próprias fezes ou de outros. Isso pode acontecer quando o indivíduo vai ao banheiro e depois não faz a higiene adequadamente. Tanto pode contrair o paralisa como pode transmiti-lo a outras pessoas se manusear alimentos, por exemplo. No ser humano, mesmo quando não representa riscos de transmissão da cisticercose, a solitária é uma verminose prejudicial à saúde. Ela é um parasita de espessura muito fina, mas cresce tanto que pode chegar a cinco metros de comprimentos e nessa fase adulta rouba muitos nutrientes do corpo deixando seu hospedeiro debilitado. DIAGNÓSTICO - A cisticercose é detectada por meio de análise de amostra de líquor (pode ser colhido a partir de qualquer localização, porém a punção lombar é o meio mais comum de coleta), e imagens cerebrais obtidas por tomografia computadorizada e ressonância magnética. O tratamento pode ser feito com vermicidas ou outras drogas que atuam sobre a inflamação. Nos casos de obstrução das vias internas que causam hidrocefalia ou apresentam cistos que se comportam como um tumor, a indicação de tratamento é cirúrgica.

Edição EDIÇÃO 16961




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