CIDADES
Quarta-feira, 07 de Fevereiro de 2007, 20h:25
A
A
CÁCERES
Cidade ainda sente efeitos de alagamento
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal
O município de Cáceres continua sofrendo as seqüelas do alagamento ocasionado por 18 horas de chuvas, que caíram na região em meados de janeiro. A situação é grave na zona rural, que contabiliza 20 pontes interditadas e quase 300 quilômetros de estradas vicinais destruídas. Não temos famílias isoladas, explica o secretário de Obras e Serviços Urbanos do município, José de Assis Guaresqui, porque os próprios moradores acham meios alternativos de locomoção, como animais, tratores, etc. Mas eles estão enfrentando dificuldades. O município tem uma malha viária de 1.500 quilômetros de estradas vicinais. As regiões mais comprometidas são a da Caiçara, Pé de Anta, Barra Nova, Santa Luzia, São Francisco, Horizonte D Oeste, Paiol, Laranjeira, Cachoeirinha, Vila Aparecida, Guarandi e Nova Limeira. Em alguns pontos, o trânsito está sendo possível mesmo precariamente, com ações emergenciais da prefeitura com o apoio da comunidade. A recuperação depende da liberação de recursos financeiros, pedido já encaminhado ao governo federal através de relatório encaminhado à Defesa Civil. Inclusive, afirma Guaresqui, a orientação da Defesa Civil é para que, no trabalho de reconstrução, as pontes sejam mistas, usando concreto nas cabeceiras e pilares, e madeira somente no assoalho, para que sejam mais duradouras. Na zona urbana, as chuvas constantes têm prejudicado os trabalhos. Nos últimos dois dias, a prefeitura conseguiu avançar um pouco com a operação tapa-buracos, que por enquanto se restringe ao centro da cidade. Avançaremos pelas ruas principais, onde ocorre 90% do fluxo de veículos. Por enquanto, não dá para entrar nos bairros. E também ainda não podemos trabalhar com revestimento primário (cascalho) porque vira lama quando chove. A zona urbana está com oito pontes destruídas, bocas de lobo obstruídas e a rede de água pluvial assoreada. Dependemos fundamentalmente da liberação de recursos para recuperar o município, conclui o secretário. Na tarde de ontem, o prefeito Ricardo Henry, que esteve em Brasília na terça-feira, informou que existe um projeto sendo protocolado junto ao governo federal para obras de esgotamento sanitário no município. "São 60 milhões de reais, a fundo perdido, para esgoto e drenagem, e estamos nos empenhando ao máximo para que isso se concretize". ESCOLAS - Os 12.600 alunos da rede pública municipal iniciam o ano letivo na próxima segunda-feira. O calendário não será comprometido devido ao período crítico que o município atravessa em decorrência do alagamento provocado pela chuva. A informação foi dada na tarde de ontem pela secretária da pasta, Luciana de Souza Gattass Crepaldi. Podem ocorrer atrasos pontuais, em escolas de comunidades como Vila Aparecida, Paiol, São Francisco. Mas esse atraso será solucionado com a adaptação do calendário no decorrer do ano. Todas as escolas têm que cumprir o que exige a lei, ou seja, 200 dias letivos. O município tem 70 unidades escolares, sendo 44 delas na zona rural, onde estão matriculados 4.500 alunos. A escola mais distante está a 200 quilômetros da sede do município. Diariamente, os ônibus que fazem o transporte escolar percorrem 7 mil quilômetros. As escolas estão recebendo a merenda escolar durante esta semana, e também sendo limpas e desinfectadas, através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, de Obras, e União Cacerense das Associações de Moradores, através dos presidentes de bairros.