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CIDADES
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009, 08h:53

FORA DE ÉPOCA

Chove 5 vezes mais do que o previsto

Cuiabá registra volume de chuva não visto há 20 anos em agosto. Precipitação forte e em pouco tempo causou prejuízos em alguns bairros

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
Em um único dia choveu em Cuiabá cinco vezes mais do que o previsto para o mês inteiro: na noite de segunda-feira a precipitação atingiu a marca de 78,8mm, quando o volume de água normal para o período é de 15 mm, segundo dados do 9º Distrito Meteorológico. O dado é histórico. Desde 1989, segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não chove tanto sobre a capital mato-grossense, quando a marca chegou a 102,4 mm para o mês de agosto. Este ano, no acumulado do mês, são já 89 mm. A previsão, segundo o 9º Distrito Meteorológico, é de que o número aumente, já que chuvas isoladas, em menor intensidade, aparecem nas estimativas para o clima em Cuiabá hoje e amanhã. A temperatura também deverá dar uma trégua ficando entre o 20ºC e 30ºC entre quarta e quinta-feira. “Para quem está acostumado a medias entre 36ºC e 39ºC, é uma redução considerável”, afirmou a diretora do 9º Distrito Meteorológico, Marina Padilha. Mesmo vindo em boa hora, o recorde de precipitações não traz motivos para comemorar: na avaliação da Defesa Civil do Estado, as alterações no clima são consequências diretas do aquecimento global. Um complexo de fatores como o desmatamento e a emissão desenfreada de gases tóxicos na atmosfera são as principais causas para o aumento do período de estiagem, o que provoca precipitações mais curtas e intensas, segundo a Defesa Civil do Estado. De acordo com dados do órgão, a última estiagem teve duração de 32 dias, conseqüência do fenômeno El Niño, o aquecimento das águas do Pacífico que determina o volume de precipitações sobre a Floresta Amazônica. O choque entre o restante dessa massa de ar quente com a mais fria, vinda do Sul, é responsável pela chuva incomum nesta época do ano em Mato Grosso. Na avaliação de Marina Padilha, não se trata de um fenômeno, mas sim de uma situação a que o Estado está suscetível todos os anos por influência das massas de ar frio da região Sul. Para o professor do Instituto de Pesquisas Avançadas da USP e um dos criadores dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL, Gylvan Meira, o aquecimento da Terra em 2,2ºC afetará 15% da biosfera e, a partir de 3,8ºC, cerca de 40% dela será afetada irreversivelmente. A solução, segundo ele, é diminuir em cerca de 60% as emissões globais de gases do efeito estufa. Atualmente, o protocolo de Kyoto prevê a redução de 20%. Em seu estudo, ele alerta que os efeitos dos gases lançados na atmosfera podem durar entre 20 e 50 anos, no caso do dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. ALAGADOS - Os bairros Jardim Tropical; etapa final do Tijucal; Santa Helena; São Mateus, e Jardim Cuiabá foram os mais atingidos pelos alagamentos, segundo dados da Defesa Civil Municipal. Os estragos ocorrem, geralmente, por conta do sistema de drenagem de Cuiabá que é muito antigo. “É um volume de água muito grande em pouco tempo. Como o sistema de drenagem não suporta, acaba transbordando córregos e entupindo as áreas de escoamento”, explicou o coordenador-adjunto do órgão, José Pedro Zanetti.

Edição EDIÇÃO 16962




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