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CIDADES
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 20h:45

DESOCUPAÇÃO

Camelôs preparam protesto na Ipiranga

Ambulantes que ocupam espaços no Centro de Cuiabá começam hoje a ser retirados pela prefeitura e farão um manifesto pacífico por direito ao trabalho

ALCIONE DOS ANJOS
Da Reportagem
Os vendedores ambulantes e camelôs farão hoje uma manifestação na praça Ipiranga para mostrar a insatisfação com a medida de retirada de suas bancas dos espaços centrais de Cuiabá. Está agendado para hoje o início da desocupação de praças, ruas e travessas da cidade feita pela prefeitura, em cumprimento à decisão judicial da Vara Especializada do Meio Ambiente. A ação está programada para ter início às 6h, inclusive com uso da força policial, se necessário. Os camelôs prometem uma manifestação pacífica e não reagir à retirada. A orientação da Associação dos Camelôs e Vendedores Ambulantes (ASCAVAC) é para que não levem mercadorias para a praça. “Não acho justo deixarem o povo se acostumar a trabalhar de um jeito e, da noite para o dia, querer tirar todo mundo”, reclamou a presidente da ASCAVAC, Aparecida Ribeiro de Oliveira. “Mesmo assim vamos respeitar a decisão. Ninguém aqui vai enfrentar a polícia”, afirmou. Segundo ela, cerca de 320 ambulantes atuam no centro da Capital, entretanto apenas 175 são cadastrados. Já o presidente do Sindicato dos Camelôs (SINCAMAT), Augusto da Silva, disse que concorda com a medida e que está negociando um novo local para os ambulantes. “Todos os ambulantes já foram comunicados da retirada e o ideal é que eles nem venham para a praça, mas quem vier, que não traga nenhuma mercadoria”, declarou. “O Sindicato luta para a organização da classe como um todo, não para um ou outro”, completou. “Não sabemos se os vendedores ficarão parados uma semana ou um mês, queremos que seja resolvido o mais rápido possível. Na quarta-feira, vamos nos reunir com a prefeitura para discutir isso”. Ontem pela manhã, o clima era de expectativa na rua 13 de Junho, local onde se concentra uma parte dos ambulantes. A vendedora Francisca Pereira, 65 anos, informou que comercializa há 20 anos produtos na rua e o dinheiro a ajudou a criar os seus três filhos. “Eu venho para a praça, mas não vou montar a barraca. Só espero que Deus acalme o coração de todos que estiverem envolvidos na retirada amanhã [hoje]”, pediu. A camelô Vera Gonçalves, 42, contou que está na 13 de Junho há 17 anos e que o que mais deseja é ser respeitada pelas autoridades. “Trabalhamos o ano todo e só agora na melhor época do ano eles vêm mexer com a gente”, criticou. “Eu me sinto humilhada. Só quero trabalhar para conseguir pagar minhas contas no final do mês”, disse apontando para a conta de energia elétrica prestes a vencer. O vendedor ambulante Adauto Almeida vende lanches e refrigerantes há 27 anos no centro de Cuiabá. Explicou que trabalha de forma regular, possui licença da prefeitura e está inconformado em ter que parar de trabalhar sem explicações. “Estamos sendo considerados criminosos e sem chance de nos defender. Até agora não fomos informados se seremos colocados em outro local”, comentou. Na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Assuntos Fundiários promoveu uma reunião com representantes da ASCAVAC e do SINCAMAT para comunicá-los sobre a retirada. A ação será desenvolvida até sexta-feira por 92 fiscais, com quatro caminhões, um caminhão-guincho, uma pá-carregadeira e um caminhão basculante.

Edição EDIÇÃO 16962




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