Nove dos 10 leitos do box de emergência do Pronto-Socorro de Várzea Grande estão interditados. É que a unidade passa por uma pequena reforma emergencial para conter o mofo nas paredes e as contaminações. O juiz Onivaldo Budny, da 3º Vara da Fazenda Pública da cidade, deu prazo de 72 horas para o município se explicar sobre quais providências tem tomado para reverter o caos no atendimento à população. Ação civil pública interposta pela Defensoria Pública foi mais longe e pede a interdição do Pronto-Socorro com transferência dos pacientes para outras unidades de saúde. A ação se baseou em três vistorias realizadas entre os anos de 2009 e 2010 pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). O conselho constatou que a unidade não tem condições de funcionar e que a manutenção dos atendimentos expõe a riscos tanto os médicos como os pacientes. Os médicos foram recomendados a não mais efetuar atendimentos nessas condições. Diante da reforma do box de emergência, os casos graves estão sendo encaminhados para atendimentos no Pronto-Socorro de Cuiabá. A reportagem esteve na unidade de Cuiabá e constatou muita gente nos corredores aguardando por atendimentos. Outra unidade que continua recebendo grande fluxo de pacientes de Várzea Grande é a policlínica do Verdão. Por lá, se instalou até uma tenda para abrigar mais pacientes. Na tarde de ontem, o único box de emergência em funcionamento em Várzea Grande abrigava sem estrutura três pacientes. Um dos quadros mais graves é de uma idosa de 61 anos. Ela respira com ajuda de aparelhos e deu entrada no box com diagnóstico de derrame cerebral. A reportagem conversou com um dos filhos da paciente, Jocimar Santana dos Santos, que está preocupado com a mãe. Nessas condições ela não tem como sobreviver, disse. A família já entrou na Justiça requerendo a transferência da idosa para uma UTI. (DM)