A margem do rio Cuiabá do lado várzea-grandense está ameaçada. Em alguns pontos, um processo avançado de desbarrancamento tem lançado todos os dias uma quantidade incalculável de terra para dentro do rio. Sem a terra - que mantinha a mata ciliar intacta -, uma grande erosão já dá sinais de que vai engolir a avenida Alameda. Os moradores estão preocupados com o desbarrancamento. Eles chegaram a fazer um abaixo-assinado com a reclamação que foi entregue à prefeitura. Segundo eles, nada foi feito. A beira do rio serve para o descanso de muitos trabalhadores que aproveitam a brisa única do local para tirar um cochilo depois do almoço e no final do dia. O problema é que, em alguns locais, um passo em falso já é suficiente para uma pessoa desavisada cair barranco abaixo de uma altura de aproximadamente 10 metros. Os locais ainda considerados seguros não têm nem dois metros de largura. O descarregador de cimento Firmino Laurentino Martins, que descansa todos os dias embaixo de uma árvore em uma rede improvisada, calcula que a prática está com os dias contados. O rio está desbarrancando muito. Três árvores próximas já caíram, salienta. A árvore que o trabalhador amarra uma rede feita com uma faixa publicitária está com grande parte das raízes expostas. Sem o adensamento da vegetação, a enxurrada provocada pelas chuvas lava as raízes e empurra todos os sedimentos que encontra para o rio. É por isso que muitas árvores acabam morrendo e caindo. A moradora Juscinéia Pereira dos Santos Alcântara está com medo. É perigoso. Tem gente que está com medo de morar aqui por causa do rio desbarrancado, disse. Ela também enfatizou que as moradias estão desvalorizadas por conta do problema. O marido dela, José Alcântara, informou que o problema só está acontecendo nos pontos desprovidos de uma estrutura de pedra. Onde a estrutura de pedra foi construída não tem registro de desbarrancamento, confirma. OUTRO LADO A Prefeitura de Várzea Grande esteve no local e retirou amostras do solo que foram encaminhadas para análise. O secretário de Obras do município, Valdisney Moreno, informou, via assessoria de imprensa, que os pontos críticos vão passar por obras de intervenção logo após o fim das chuvas.