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Sábado, 29 de Setembro de 2012, 13h:38

EXPLOSÕES

Aumentam ataques a caixas-eletrônicos

Nos último dois meses foram oito ações criminosas e presidente do sindicato dos bancários afirma que acréscimo tem relação com fuga da PCE

Laura Nabuco
Da Reportagem
Pelo menos 47 explosões a caixas-eletrônicos foram registradas em Mato Grosso este ano. Dados do sindicato dos bancários mostram que no primeiro semestre foram 38 ações, que se somadas as ocorrências divulgadas na imprensa nos meses de junho, julho e agosto, chegam a 47, sendo que em Rondonópolis, seis equipamentos foram destruídos de uma única vez. O mês de julho teve um registro em Sorriso e os meses de agosto e setembro, tiveram quatro registros cada. O presidente do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB/MT), José Guerra, não tem dúvida de que a fuga dos 36 presos da Penitenciária Central do Estado (PEC), em 20 de agosto, deixou as agências mais vulneráveis. Um mês após a saída dos presos, parte deles especializados em roubo a banco, as cidades de Nobres, Rondonópolis e Várzea Grande foram vítimas das ações dos criminosos, todas com uso de dinamite. “O aumento das ações criminosas é visível. Não precisa ser muito inteligente para associar uma coisa com a outra. Vínhamos num período de tranqüilidade. Os ataques haviam reduzido”, reclama o sindicalista. O grupo de criminosos era composto, em sua maioria, por integrantes de quadrilhas especializadas em assaltos na modalidade “novo cangaço”, que ganhou este nome pela violência das ações, e em ataques a bancos. Eles fugiram por um buraco aberto com explosivos no muro da PCE. Conforme as investigações, eles teriam pagado R$ 500 mil para serem “resgatados”. No mesmo dia, pelo menos 13 presos foram recapturados. De lá para cá, no entanto, apenas outros quatro foram encontrados. Entre os foragidos estão os assaltantes Sílvio César de Araújo, o "Cabelo de Bruxa", e Sérgio Nunes da Silva, o “Lacraia” e outros sete integrantes de uma quadrilha que havia sido presa no início de janeiro de 2011. Titular do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil, Flávio Stringueta afirma que a polícia já trabalhava com a expectativa de que crimes assim teriam um aumento desde a fuga, mas pondera que ainda não é possível fazer uma relação com os casos ocorridos desde 20 de agosto. “Não tem como trabalhar com as coincidências”, diz. Ele afirma que a polícia tem feito um cerco aos bandidos em Mato Grosso e que boa parte das quadrilhas migrou para outros Estados, restando aqui apenas os “menos profissionais”. “É por isso que mais em mais de 50% das explosões a caixas-eletrônicos, por exemplo, eles não conseguem colocar a mão no dinheiro”. Para Guerra, entre os motivos das ações frustradas está a convivência entre criminosos perigosos e presos comuns nas cadeias. “Tenho a impressão que os caras que são presos por qualquer bobagem aprendem essas técnicas na prisão e quando são soltos saem fazendo esses estragos por falta de experiência”, avalia. Stringueta garante que o GCCO tem a identificação de todos os assaltantes de bancos que atuam no Estado, mas explica que, muitas vezes, não consegue prendê-los por falta de provas. “Nós conseguimos identificar, mas não provar que eram eles que estavam lá naquele momento. Então temos que ficar monitorando cada passo e esperar que eles cometam algum erro”, explica. Conforme o delegado, o perfil dos assaltantes de bancos é de homens com idade entre 20 e 30 anos e que já têm passagem pela polícia. A maioria está envolvida também com o crime de tráfico de drogas. “A explosão aos caixas-eletrônicos é a forma que eles encontraram de conseguir dinheiro rápido”.

Edição EDIÇÃO 16967




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