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CIDADES
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011, 14h:43

BIOSAÚDE

Audiência sobre padre que trata é adiada

CRM, que moveu ação contra Renato Barth, criador do método alternativo para curar doenças, esteve no juizado, mas não alcançou intento

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
A segunda audiência entre o padre Renato Roque Barth, do método de medicina alternativa Biosaúde, e o Conselho Regional de Medicina (CRM) foi suspensa ontem à tarde na sede do Juizado Especial Criminal Unificado, em Cuiabá. O juiz Mário Kono suspendeu a audiência por “pobreza” nas investigações que deveriam ter sido realizadas pela Polícia Civil referentes às denúncias feitas pelo CRM contra Barth pelas práticas de curandeirismo e exercício ilegal da medicina. Segundo a assessoria jurídica do CRM, a queixa-crime foi encaminhada pela polícia ao Juizado sem nenhuma oitiva de testemunhas e juntada de documentos. Neste caso, como prevê jurisprudência consagrada nos Juizados Especiais, o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) sobre o caso deve voltar ao Centro Integrado de Segurança e Cidadania (CISC) do bairro Planalto para ser novamente investigado. O juiz Mário Kono não definiu prazos. Uma nova audiência entre o padre e o CRM depende da conclusão das investigações. Antes da audiência, grupos simpatizantes às terapias desenvolvidas pelo padre desde a década de 1970 se reuniram no saguão do Juizado para protestar contra o que eles classificaram de “perseguição a um método que trata o doente como um todo e não apenas a doença”. À primeira vista, o padre Renato Barth se mostrou arredio e não quis conversar com a reportagem. As mãos estavam ocupadas com pastas que segundo ele continham “quatro mil assinaturas” de pessoas espalhadas pelos países da América Latina e África favoráveis à Biosaúde. Questionado sobre o uso da urina para curar diabetes - doença que segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes atinge entre 12 a 15 milhões de brasileiros, Barth garantiu que a doença pode ser extirpada em duas semanas “com a eliminação do parasita”, disse. Ele negou a acusação de que induz as pessoas a deixarem os tratamentos tradicionais para se submeterem ao tratamento alternativo e, que esta escolha depende “de uma conversa entre paciente e o médico”. Barth informa que vai encaminhar ao Ministério da Ciência e Tecnologia 500 inovações científicas desenvolvidas por ele, entre elas, a erradicação da malária. Para a terapeuta Cléia Vanessa Costa da Silva, o tratamento à base de urina serve para “limpar e desintoxicar o organismo”. Ela ainda enfatiza que o tratamento Biosaúde une apenas dieta especial, urina, argila e ervas medicinais. Ela já se curou de mioma, adenóides e preveniu uma ameaça de aborto com o tratamento alternativo. OUTRO LADO – Para o Conselho Regional de Medicina, a ciência já comprovou que terapias funcionam em apenas 20% dos pacientes. É o efeito placebo. “Nós não queremos que os pacientes abandonem os tratamentos para se submeter a terapias sem nenhum respaldo científico”, disse o presidente do CRM, Arlan Azevedo. Ele ainda disse que duas pessoas entraram na UTI semana passada por abandono dos tratamentos por conta da Biosaúde. Só por exercício ilegal da medicina o CRM mantém 200 processos de investigação no Estado.

Edição EDIÇÃO 16960




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