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CIDADES
Quarta-feira, 18 de Maio de 2011, 20h:59

SAÚDE MENTAL

Assistência desfalcada na Capital

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Após dez anos de promulgação da Lei 10.216/2001, a chamada Lei da Reforma Psiquiátrica, a população mato-grossense ainda não conta com uma política pública efetiva de saúde mental. O atendimento é feito de forma precária, o que afeta a integralidade do tratamento e prejudica reinserção dos pacientes na sociedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 12% da população sofram de algum tipo de transtorno mental. Ontem, no Dia Nacional de Luta Antimanicomial, cerca de 150 pessoas participaram de uma audiência pública na Câmara Municipal de Cuiabá. Na oportunidade, foi discutida a precariedade do atendimento aos usuários que buscam a rede de serviços na Capital, além do interior do Estado. À tarde, foi realizado um ato público na praça Alencastro, no Centro. “Mato Grosso conta com 37 Caps (Centro de Atenção Psicossocial) que só atendem os pacientes agudos, mas não tem suporte nas unidades do Programa da Família e nas policlínicas”, afirmou Júlio José da Silva, presidente da Associação Mato-grossense dos Usuários, Familiares e Parceiros da Saúde Mental “Maria da Praça”. Para ele, a demissão dos 300 servidores contratados da rede municipal da Capital tem prejudicado ainda mais o atendimento dos pacientes. “A rede precisa de mais psiquiatras, psicólogos e enfermeiros para se tornar mais eficiente”, aponta. Júlio cobrou ainda a implantação do Caps 24 horas. “Não há nenhum no Estado”, afirmou. Os usuários reclamam ainda da falta de itens básicos nos Centros de Atenção, como material de limpeza. Ao fazer uso da palavra na Tribuna, a coordenadora estadual de Saúde Mental, Áurea Assis Lambert, reconheceu a falta de vontade política pública em melhorar ou ampliar a assistência na área. “Os serviços estão sucateados por falta de gestão. Os poucos profissionais efetivos trabalham em locais insalubres, fazendo com que os usuários sofram”, disse. Ao mesmo tempo, Lambert afirmou que a luta dos profissionais que atuam na área tem sido diária. “A gente luta para que os gestores tenham compromisso com a saúde mental e invistam mais. A saúde mental deveria ser prioridade, está no Pacto pela Vida, mas os gestores não estão vendo esta prioridade”, afiançou. “São quase trinta anos de caminhada e a gente faz uma análise que deveria estar bem melhor”, acrescentou. Coordenadora do Programa em Saúde Mental da Capital, Maria Aparecida da Silva, informou que a cidade conta com cinco Caps, sendo dois para tratamento de adulto, um para assistência álcool e drogas, outro para adolescente e outro para crianças com transtornos. No geral, ela afirmou que as unidades propiciam a cobertura de 82% da população. Porém, Maria Aparecida lembrou que cada unidade tem uma especialidade, que não atende toda a demanda. “Só um Caps não dá conta de atender os pacientes que são crianças. Precisaríamos ter mais três Caps para oferecer uma cobertura maior em todas as idades”, reconheceu.

Edição EDIÇÃO 16968




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