CIDADES
Quarta-feira, 07 de Abril de 2010, 22h:08
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SAÚDE MERECIDA
Assistência básica precisa ser incrementada de pronto
ANDRÉIA CRUZ
Da Reportagem
Com 291 anos, a cidade de Cuiabá precisa caminhar a passos largos para oferecer uma saúde púbica de qualidade à população. Aumento na cobertura da atenção básica, implantação de unidades de pronto-atendimento (UPAs) e a construção de um hospital infantil são alguns dos presentes que o cuiabano merece ganhar. Para garantir a prevenção à saúde, aumentar a rede de serviços e tornar a gestão mais eficiente o Plano Diretor da Capital prevê algumas readequações que terão de ser cumpridas durante os próximos anos. Manter o foco na prevenção e não na doença. Este é um dos desafios dos gestores para melhorar a saúde pública. Segundo a prefeitura, o Programa Saúde da Família (PSF) cobre 40% da população, com 63 equipes. Mas o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) denuncia que desse total, 15 equipes estão sem médicos. Para os próximos quatro anos, a meta de prefeitura é chegar aos 80% de cobertura. Praticamente, cada bairro terá uma equipe do PSF, que a partir deste ano terá o suporte dos Núcleos de Apoio ao Programa de Saúde (Nasf), informa a assessora de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Nilva Maria Fernandes de Campos. A princípio, serão implantados sete núcleos que a serem compostos por médicos, odontólogos, assistente social, nutricionista, professor de educação física e psicólogos. Outro gargalo da saúde é o setor de urgência e emergência. Com seis policlínicas e um pronto-socorro, os profissionais não conseguem atender a demanda. Uma das alternativas apontadas é a instalação das unidades de pronto-atendimento, já criadas em diversas capitais brasileiras para aliviar os hospitais de emergência. Para Cuiabá, o ideal seria a implantação de quatro UPAs, porém, para entrar em funcionamento, a prefeitura tem de assumir o Samu, que é coordenado pelo Estado. Há previsão de que ao menos uma UPA seja instalada brevemente. A UPA é mais do que uma policlínica, que vai descentralizar o atendimento do pronto-socorro. A falta de profissionais, principalmente de médicos, é também apontada como um dos entraves para o bom funcionamento da saúde pública. Segundo o Sindimed, são 704 atendendo pelo SUS. Deles, 300 estão no PSMC e o restante, distribuído nas policlínicas, centros de saúde e PSFs. A realização de concurso público é uma das alternativas encontradas pelo município para aumentar o número de profissionais, que, se comparado com outras capitais, não é pequeno. Em Campo Grande (MS), por exemplo, que possui uma rede maior do que a de Cuiabá e com mais habitantes, há cerca de 4 mil profissionais da saúde. Em 2008, Cuiabá contava com 5.877 trabalhadores, quantia que aumentou com o concurso público do ano passado, em que 817 pessoas foram aprovadas. A assessora de Planejamento da Secretaria de Saúde do município concorda que a gestão do SUS na Capital não está funcionando como deveria. Um dos nossos maiores desafios é a modernização e a gestão eficiente do SUS. A meta é o funcionamento da referência e contra-referência, o que significa a engrenagem dos PSFs com as policlínicas e o pronto-socorro. A construção de um hospital-maternidade é outro presente que a população cuiabana deseja há algum tempo. Desde a Conferência da Saúde de 2004 a maternidade vem sendo discutida e cobrada pela sociedade. As mudanças mencionadas e outras sugeridas pelo Plano Diretor foram planejadas para ser colocadas em prática até 2020, com o objetivo de contribuir para o crescimento organizado da cidade.