O ministro da Justiça, Tarso Genro, assinou ontem portarias para a demarcação de três aldeias indígenas das etnias Kayabi, Potiguar e Ticuna, que ficam em Mato Grosso, Paraíba e Amazonas respectivamente. A solenidade marcou na abertura do primeiro dia da reunião da Comissão Nacional de Políticas Indigenistas (CNPI), que acontece até hoje em Brasília. Para o ministro Tarso Genro, o resultado de conquistas como esta é conseqüência do trabalho que vem sendo executado pela Funai, que passou por uma reestruturação técnica e financeira. É uma orientação do presidente Lula transformar a Funai, que estava quase impotente do ponto de vista administrativo, em uma estrutura exemplar. Segundo Tarso, as portarias representam um momento importante para a política indigenista no Brasil, porque também contam com o apoio do Ministério Público e da Advocacia Geral da União. Aquilo que estiver dentro da lei e que passar pelos trâmites regulares terá todo respaldo. Emocionado, Antônio Pessoa Gomes, da tribo Caboquinha, comentou da permanência dos índios potiguar no território pernambucano. Desde a colonização temos lutado pelo nosso espaço. Enfrentamos empresas multinacionais, usinas com plantações de cana. Perdemos muitos líderes nessa batalha, disse. Essa portaria será um alívio para mais de quinze mil índios. O líder do movimento indígena na Amazônia, Jecinaldo Barbosa, pediu ao ministro maior participação dos índios na reestruturação da Funai. Ao final da reunião, membros das tribos Kayabi, Potiguar e Ticuna entregaram cartas e manifestos a Tarso Genro.