CIDADES
Sábado, 19 de Maio de 2012, 13h:28
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SAÚDE
As vantagens do tratamento em casa
ALECY ALVES
Da Reportagem
Em Cuiabá e Várzea Grande deve haver mais de 400 pacientes graves sendo assistidos por Home Care, ou seja, recebendo em casa atendimento similar ao que teria se estivesse internado em um hospital. Os diagnósticos dos doentes são diversos, mas grande parte desses assistidos apresenta sequelas decorrentes de AVC (acidente vascular cerebral), de acidentes de trânsito ou estão em estágio avançado de outras patologias, como o câncer, por exemplo. O serviço de Home Care é relativamente novo em Mato Grosso, existe há menos de 10 anos, e sua oferta ainda se restringe à Capital e a Várzea Grande. O Sistema Único de Saúde (SUS) não prevê essa modalidade de assistência, mas muitas vezes é obrigado a oferecê-la por força de medida judicial. Por determinação da Justiça, o SUS mantém hoje 43 pacientes sob cuidados em suas casas. Entretanto, a grande clientela do Home Care são os segurados de planos de saúde, Unimed e MT-Saúde, por exemplo, mas não por obrigação judicial. Em muitos casos, os planos de saúde fazem opção pela internação domiciliar seguindo os procedimentos exigidos e mediante prescrição médica, por causa dos custos da manutenção do paciente no hospital. O médico Ricardo Antônio de Paulos, diretor de uma empresa de Home Care em Cuiabá, diz que a desospitalização de pacientes crônicos é uma tendência no país pela questão do custo. Os custos do cuidado no domicílio são, em média, 30% menores que na internação hospitalar. Além dessas vantagens, é uma prestação de serviço que vem ao encontro do desejo da família de permanecer mais tempo na companhia do paciente, acompanhando o tratamento e interagindo com o doente. Em casa, diz, o doente dispõe de assistência 24 horas de técnicos de enfermagem que se revezam nos plantões, recebe medicação, visita médica conforme a necessidade, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista, conforme a avaliação do quadro e as recomendações prescritas. A mãe de Fernando Cruz, Maria de Fátima Ribeiro Cruz, 58 anos, está sob cuidados em casa há quase um ano. Diagnóstica com um tumor cancerígeno no cérebro em 2009, Maria de Fátima já passou por duas cirurgias e longos períodos de internações. Fernando tem certeza de que, em casa, recebendo a atenção e o carinho família, é bem melhor que no hospital. Ele acha que mãe vem apresentando melhoras, mesmo com os médicos afirmando que ela está inconsciente. O estudante Matheus de Assis Fonseca, 10 anos, há 2 anos ficou tetraplégico em consequência de um tiro que o atingiu quando brincava na porta de casa e passou pouco mais de um ano sendo assistido por Home Care. Parcialmente recuperado, o garoto voltou a frequentar a escola com a ajuda do pai Eliézio Pereira Fonseca, irmãos e amigos. Sem o Home Care, servido obtido do SUS por meio judicial, o filho certamente teria permanecido internado em hospital, avalia Eliézio.