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CIDADES
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 12h:29

PRONTO-SOCORRO

Artesanato alivia dor e gera renda

DANA CAMPOS
Da Reportagem
Alívio à apreensão, auto-estima elevada e ainda uma fonte de renda. Estes são os resultados das oficinas de artesanato desenvolvidas na Brinquedoteca do Pronto-Socorro de Cuiabá. No local, mulheres de Cuiabá e do interior do Estado que acompanham os filhos internados na pediatria tem a oportunidade de criar e desenvolver produtos artesanais, como bonecas e bichos feitos de pano e linhas, usados para decoração e, principalmente, para animar os corações dos pequenos. Mulheres como a dona-de-casa Bene Dutra dos Santos, de 36 anos, também esquecem um pouco do sofrimento em meio ao trabalho manual. “Já pensou? A gente dentro de um quarto o dia todo sem ter algo para fazer, vendo um filho adoecido? É muito triste, e isso aqui é uma forma da gente relaxar e melhorar a auto-estima”, diz Bene, que há mais de 20 dias acompanha o filho Luis Felipe Santos, 12, internado no hospital com uma inflamação na perna. Além do fator emocional, destaca a dona-de-casa Adriana Martins da Silva, 22, o trabalho artesanal desenvolvido na unidade hospitalar permite que mães como ela tenham a oportunidade de obter uma fonte de renda extra com a comercialização dos produtos. “Hoje eu já consigo comprar fraldas e produtos de higiene para meu filho”, revela Adriana, que acompanha o filho Lucas Matheus dos Santos, de quatro meses, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) há dois. Além de vender as peças para os próprios servidores do hospital, ela ainda conta com o apoio da mãe, que oferece aos vizinhos do bairro onde mora. As oficinas são orientadas pela pedagoga Nilda Maria de Amorim. Ela conta que tudo começou quando viu uma mãe que acompanhava um filho internado no hospital. “Observei que ela fazia uma bonequinha de linha e quis aprender. Depois que aprendi, resolvi ampliar a ideia e transmitir o conhecimento para outras mãezinhas que ficam aqui no hospital”, diz Nilda, que desenvolve o trabalho há quatro anos. Desde então, revela a pedagoga, são produzidos 12 diferentes peças decorativas – boneca deitada, gato, palhaço, boneca dorminhoca, urso, boneca grande, cachorro de crochê, porta-sabonete, tartaruga, pintura em vidros, jacaré de miçanga e boneca de sabonete. “Aqui o aprendizado é constante. Vivo me reciclando, e tem muita mãe que acaba ensinando também”, revela Nilda. É o caso da costureira Dejanira Aparecida Braga, 27, que participa das oficinas há mais de um mês. Ela conta que já aprendeu a produzir diversos produtos de decoração e que também teve a oportunidade de compartilhar o conhecimento que já possui. “Como eu já sabia produzir o jacaré de miçanga, resolvi ensinar também”. Para a costureira, a trabalho desenvolvido na Brinquedoteca é muito importante porque é uma oportunidade que as mães e demais acompanhantes tem para “descarregar” a dor e a tristeza.

Edição EDIÇÃO 16967




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