CIDADES
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 21h:13
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CASO BRUNA
Argentino não é insano, atesta laudo
Jorge Santiago Demétrio, acusado de tentar estuprar e matar menina de 13, vai aguardar por julgamento no presídio, já que detém consciência de seus atos
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Jorge Santiago Demétrio, o argentino, não tem sinais ou sintomas de doença mental e possui plena capacidade de entendimento e determinação. Essa é a conclusão do laudo do exame de sanidade mental encaminhado ao juiz da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Walter Pereira de Souza, como uma das provas do processo que apura a responsabilidade do acusado no assassinato da menina Bruna Jéssica Florão, de 13 anos, ocorrido em setembro de 2007. Com o resultado, Santiago responderá o processo normalmente e não deve ser solto. Conforme o laudo pericial, Jorge Santiago tem boas condições de apresentação pessoal, consciente, orientado no tempo, espaço e circunstâncias. Além disso, colocam os peritos que ele tem discurso coerente, organizado, pensamento sem alteração de forma, conteúdo ou velocidade. Ainda consta na conclusão do laudo que a memória de fixação de Santiago está preservada, assim como a de evocação. Os peritos apontam na conclusão que Santiago preenche critérios diagnósticos para dependência à pasta-base de cocaína e maconha. No entanto, nas respostas aos questionamentos do Ministério Público Estadual, os psiquiatras colocam que a afirmação tem como base o relato de Santiago e o de sua ex-esposa, porque, na época do crime, não foi realizado qualquer exame laboratorial que comprovasse a presença de metabólicos de cocaína ou canabinóides no organismo do acusado. Santiago responde a processo por homicídio qualificado, tentativa de estupro e ocultação de cadáver. Ele foi preso em flagrante no dia do assassinato da menina e desde então está na Penitenciária Central (antigo Pascoal Ramos). Na entrevista a um perito, Santiago mudou a versão sobre a morte da menor e disse que a menina o procurou para comprar uma pulseira, mas, quando chegou lá e o viu fumando um cachimbo com entorpecente, pediu para usar também. O acusado relatou que não sabe se a menina chegou a usar a droga, mas percebeu que ela caiu no chão e começou a se debater. Santiago disse que não conseguia se recordar de detalhes. Na decisão do pedido de sanidade mental, o juiz apontou questionamentos para serem respondidos pelos peritos, entre eles estava o que apurava se o acusado era portador de alguma doença mental na época do crime e se era portador de perturbação da saúde mental. Para estas duas perguntas, as respostas foram não. A pedido do juiz, também nos questionamentos, os peritos sugeriram tratamento multiprofissional (psiquiátrico, psicológico e social) para que permaneça abstinente dos entorpecentes. A defesa de Jorge Santiago pediu a realização do exame de sanidade mental na tentativa da libertação do acusado, além de eliminar a possibilidade de ele ir a julgamento. O laudo vai agora para conhecimento das partes.