CIDADES
Quarta-feira, 25 de Julho de 2012, 21h:21
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PÁTIO LOTADO
Apreensões limitadas
Quando Detran informa que não há vaga, policiais e agentes de trânsito aplicam multas e liberam infratores
Laura Nabuco
Da Reportagem
Com o pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) literalmente abarrotado de veículos, as apreensões de automóveis e motocicletas na Capital já não têm sido feitas com tanta frequência. A afirmação é do comandante do Batalhão de Trânsito, coronel Wilson Batista. Há a fiscalização e as autuações continuam, mas para apreender temos sempre que olhar a saída dos carros que estão lá. Pelo menos cinco mil motos e três mil carros ocupam o pátio atualmente. Segundo o diretor de veículos do Detran, Carlos Miranda, cerca de 70% dos condutores autuados estava dirigindo sem a carteira de habilitação. A segunda infração mais cometida é o atraso na atualização da licença do veículo. Entre os motivos apontados por Miranda para a superlotação está o custo benefício e a ausência da documentação necessária. Ele explica que o valor das multas de muitos veículos ultrapassa o valor de mercado do próprio automóvel, por isso os proprietários desistem de resgatá-los. Outro problema é quando o carro ou moto pertence a uma pessoa, mas está registrado no nome de outra. Têm muitos casos em que a pessoa faz a compra, mas não a transferência. E, do pátio do Detran, o veículo só sai com o proprietário que consta nos documentos. Nosso desejo é que as pessoas viessem buscá-los, mas alguns ficam inviáveis, afirma. Apesar do problema, Miranda garante que tem feito o possível para não prejudicar a atuação do Batalhão do Trânsito. Segundo ele, além do fluxo de veículos que saem diariamente do pátio, abrindo vaga para a entrada de outros, o Detran tem contado com o improviso. Se estamos nessa situação hoje é porque a fiscalização tem sido feita. Estamos cumprindo nosso papel, sustenta. Para resolver definitivamente a questão da falta de espaço, o departamento estuda a possibilidade de alugar outro local para onde seriam levados os carros e motos já considerados sucatas. O diretor acredita que o contrato deve ser assinado até amanhã. Ele reconhece, contudo, que a solução não é tão simples, uma vez que, embora os veículos sejam muito antigos e danificados, o novo depósito precisa oferecer segurança. Temos a opção de duas áreas que estão passando por avaliação. Paralelo a isso, uma comissão de leilão já foi montada e começa a separar os automóveis que podem ser vendidos. A estimativa é que dentro de dois meses cerca de mil carros sejam leiloados. Miranda diz que pretende ainda fazer outro processo semelhante no final do ano, desta vez com cinco mil carros e cinco mil motos. Embora a quantidade de veículos que cotados para serem vendidos seja grande, a medida pode não surtir um efeito imediato. Isso porque o procedimento pós-leilão demanda tempo. Segundo Miranda, o Detran sequer conseguiu realizar todas as entregas das vendas feitas no final do ano passado. Estamos concluindo isso agora, porque há toda uma burocracia de documentação e notificação dos donos, justifica. Ele afirma que todos os veículos parados no pátio há mais de 90 dias correm o risco de entrar no leilão. Devem ficar fora do processo apenas os que tiverem alguma demanda judicial em aberto impetrada pelo proprietário. Têm carros que estão lá há mais de 10 anos e não podemos fazer nada, porque a ação ainda tramita, conta.