CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 14h:19
A
A
Aposta na legalização alavanca
Apesar da ainda presente resistência aos efeitos da Operação Arco de Fogo, o setor madeireiro na região de Marcelândia demonstra estar otimista com o futuro sem clandestinidade, que ainda é apenas um sonho. Com o fim da concorrência desleal, já que os preços da madeira ilegal são mais baratos, o segmento espera alavancar os valores do produto com os investimentos em legalização. Ainda não se tem um controle exato sobre a entrada de madeira clandestina em madeireiras. Geralmente, quando chega aos pátios, o produto ilegal é serrado e misturado à madeira legalizada. Na hora do transporte, os motoristas que fretam o caminhão contam com a sorte e, às vezes, com um pouco mais que isso, com guias florestais fraudulentas. É esse tipo de prática que a Associação das Indústrias Madeireiras de Marcelândia quer banir, sem que os empresários locais quebrem. Consegui manter meu nível de vendas e não demiti ninguém. Ainda estou expandindo minha empresa. Isso porque trabalho de maneira legal, e quem estiver legal vai resistir à crise e se fortalecer, fala o vice-presidente da Assimma, Algacir Fistarol. Dono de uma madeireira, ele vende esquadrias e portas já industrializadas para o Rio de Janeiro e São Paulo. O empreendedor acredita que o respeito às leis ambientais gera o respeito às leis trabalhistas, e o conjunto beneficia empregador e o funcionário. Com um projeto de manejo na Fazenda Ponderosa, a 50 quilômetros do centro de Marcelândia, Algacir pode retirar da área 22 mil metros cúbicos de madeira. O custo do projeto é alto. Primeiro é necessário um estudo detalhado das espécies e de cada árvore da região. As unidades são marcadas com pequenas placas pela equipe de engenharia que faz o serviço, ao custo de cerca de R$ 70 mil. Depois, os trabalhadores braçais são orientados a lidar com as indicações e seguir as normas. Geralmente, as árvores derrubadas têm um tempo de vida limitado e apodrecem, caso não sejam removidas. O exemplo mostra que a exploração sustentável da floresta é possível, mas bastante restrita a quem tem capital para custeá-la. Uma madeira retirada sem os documentos é bem mais barata, mas quem faz o trabalho não ganha pouco, porque o custo é alto. O metro cúbico de itaúba ilegal custa cerca de R$ 180, já o legalizado R$ 380. Para o trabalhador e para o patrão compensa andar na lei, a segurança acompanha o rendimento, avalia o funcionário de Algacir, Franciel Angeli. (KR)