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CIDADES
Sábado, 17 de Maio de 2008, 15h:10

SUPERAÇÃO

Após 6 anos, Duda vai morar com os pais

Portadora de paralisia muscular, menina passou toda a vida em UTIs de hospitais da Capital. Agora, em estágio intermediário, aguarda chegar em casa

ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Maria Eduarda Amorim, a Duda, tem seis anos. Extremamente amada pelos pais, Suzana Gonçalves e José Maria Amorim, Duda sorri quando os vê. Muito vaidosa e alegre, gosta das roupas com cores vivas que a mãe lhe dá. Portadora de uma paralisia muscular que a obriga a respirar com ventilação mecânica desde que nasceu, a pequena precisou morar em setores de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais a vida toda. Porém, Duda começa agora uma nova fase, que tem sido primordial para o avanço do quadro clínico: ela vai morar com os pais. Com seis anos, Duda passa agora a apresentar sinais de que pode até mesmo respirar sem a dependência exclusiva dos aparelhos. Isso porque ela conseguiu, através de decisão judicial, o direito de ter atendimento em casa, através de uma Home Care paga pelo Estado. Como a casa dos pais no Jardim Industriário II ainda não está preparada para recebê-la, porque precisa antes passar por reformas, a menina está provisoriamente em uma casa no centro de Cuiabá. Lá, recebe atendimento intensivo de médicos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Com menos de seis meses em tratamento na Home Care, Maria Eduarda teve avanços clínicos surpreendentes para os pais e profissionais da equipe médica. Em um dos boletins médicos, a profissional médica explica que Duda vem surpreendendo toda a equipe, apresentando melhoras além do esperado para seu quadro. Há três meses, os médicos trabalham na tentativa, com sucesso, da substituição da ventilação mecânica, que faz o trabalho respiratório em 100%, para outro que exige que a menina inicie movimentos respiratórios espontâneos. Sem tratamento fisioterapêutico e fonoaudiólogo suficiente enquanto morava no hospital, Duda não desenvolveu alguns reflexos, como o de engolir. Animados com os avanços, os pais agora têm a esperança de que a menina poderá até mesmo sair da cama para passear em cadeira de rodas. A mais recente conquista foi conseguir engolir uma pequena quantidade de água, o que nunca tinha acontecido antes. Para os pais, não há como comparar a Maria Eduarda que morava na UTI de um hospital para a menina que mora na Home Care. Eles acreditam que além do tratamento médico multiprofissional intensivo, a oportunidade de eles estarem mais próximos dela faz toda a diferença. ”Na semana passada eu estava conversando com a enfermeira e começamos a rir de um comentário. Percebemos que Duda fez um barulho e, quando olhamos, ela estava rindo junto com a gente. Antes de sair da UTI, ela não sorria”, conta a mãe. O promotor da Infância e Juventude, José Antônio Borges, também acredita que a proximidade com a família mudará a história da pequena Duda. Segundo ele, a experiência de morar com os pais, receber o carinho deles e do irmão de cinco anos é um direito dela, já que o quadro clínico permite que ela vá para casa com o tratamento da Home Care. A promotoria acompanha junto com os pais todos os avanços da menina. Agora todos esperam pelas reformas da casa para poder começar a arrumar o espaço onde Maria Eduarda ficará. Para evitar qualquer intercorrência após a mudança, a promotoria já encaminhou ofício às Centrais Elétricas Mato-grossenses (Cemat) alertando que não pode haver falta de energia na casa da menina. “Chegamos a ser criticados pela família pela dedicação que tínhamos pela Maria Eduarda. Muitos não entendiam porque continuávamos acreditando que ela poderia vir morar com a gente e que teria melhoras. Mas mesmo assim não desistimos. Não vamos desistir”, revela a mãe.

Edição EDIÇÃO 16960




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