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CIDADES
Sábado, 26 de Setembro de 2009, 16h:17

GRIPE SUÍNA

Após 30 dias na UTI, paciente sai recuperado

Família do cuiabano Gustavo Nascimento, que tratou a doença por 37 dias, conta drama de ver o rapaz à beira da morte e a felicidade com sua cura

ALECY ALVES
Da Reportagem
A família do cuiabano que contraiu o vírus Influenza A (H1N1), a gripe suína - e passou mais tempo internado em tratamento contra a doença - conta o drama enfrentado, quando esteve à beira da morte, e a felicidade da recuperação da saúde do filho. Gustavo Araoz do Nascimento, 32 anos, passou 37 dias internado, dos quais 30 permaneceu em leitos de UTI de Cuiabá e São Paulo, entre a vida e a morte. A contaminação se deu durante uma viagem de três dias a Porto Alegre (RS). Ele é filho do professor do Instituto Federal de Educação (antiga ETF) e secretário municipal de Educação, Carlão Nascimento, com a engenheira florestal Natália Araoz, professora da mesma instituição. Os primeiros sinais da doença apareceram no dia 3 de agosto, 24 horas depois do retorno do Rio Grande do Sul, mas somente em dois dias Gustavo procurou atendimento médico. Com tosse e dificuldade para respirar, ele foi ao plantão do Hospital São Mateus e, horas depois, precisou ser internado num leito comum da mesma unidade de saúde. Dois dias depois, os médicos decidiram transferi-lo para a UTI. Exames laboratoriais mostravam que Gustavo estava com pneumonia dupla, ou seja, infecção nos dois pulmões. Hipertenso, diabético e com sobrepeso, o quadro se agravou e outras infecções surgiram decorrentes de complicações da doença e da queda da imunidade. Durante os 18 dias de internação na UTI em Cuiabá, a família tinha esperanças, mas sabia que a recuperação de Gustavo era difícil. Carlão conta que nesse período o filho teve uma pequena melhora, mas logo o quadro se agravou novamente. Em 21 de agosto, quando Gustavo apresentou dilatação das pupilas (seria mais uma indicação de agravamento), Carlão decidiu levá-lo para São Paulo. Ele lembra que nenhum médico defendia a transferência, deixava por conta da família. Os médicos, conforme Carlão, somente diziam para ele fazer o que seu coração de pai pedia. Sabendo dos riscos de o filho não resistir à viagem, mesmo sendo de avião, Carlão o levou para o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. “Se o perdesse sem levá-lo para um centro mais avançado, me sentiria culpado”, confessa. No hospital paulista, ele ficou em UTI onde podia dispor da companhia de familiares – dos pais e da mulher, Adriane Machado. Casada com Gustavo há 13 anos, com quem tem Lucas, 4, Adriane disse que “perdeu o chão” no dia em que um médico, ainda em Cuiabá, lhe disse que o marido tinha poucas chances de sobreviver. A frase: “Ele (Gustavo) é um paciente gravíssimo que pode vir a óbito a qualquer momento; as possibilidades de vida são poucas”, ainda está gravada na mente dela. Assim como o texto do boletim diário, procedimento para pacientes de UTI, que durante semanas trazia as palavras “respiração mecânica e quadro gravíssimo”. Para aumentar o desespero de Adriane, o pai dela, Antônio Machado, morreu vítima de câncer poucas horas antes da transferência do marido para São Paulo. Quando ela o reencontrou no hospital paulista, teve a grata surpresa. “Nossa, como ele estava bem, fiquei tão feliz, parecia inacreditável”, conta. Até a internação de Gustavo, as atenções da família estavam voltadas para os preparativos do casamento de Janaina Araoz do Nascimento, a filha caçula de Carlão. Marcada para o dia 4 de setembro, a cerimônia teve de ser adiada, ainda sem data definida.

Edição EDIÇÃO 16968




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