CIDADES
Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008, 21h:08
A
A
HOMOSSEXUAIS
Apoio jovem à causa
Maioria presente na parada gay de MT, ontem, era de adolescentes, que acreditam que homofobia é um crime
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Com apoio maciço de jovens e adolescentes, a VI edição da Parada da Diversidade Sexual e Cidadania GLTB (Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais) de Mato Grosso reuniu milhares de pessoas nas ruas centrais de Cuiabá. Apesar do apoio da juventude, e do respaldo de adultos e idosos, há pessoas que discordam da forma com que o movimento é liderado. Para a estudante Isabelle Marcela, de 15 anos, o apoio à parada é uma forma de demonstrar que é contra a homofobia preconceito contra homossexuais. Nós não somos gays, mas acreditamos que não deve haver preconceito na sociedade contra essas pessoas, disse a jovem junto ao grupo de oito amigas, com a média de 16 anos. Elas revelaram que apesar de participarem do evento em outros anos, os pais sempre contestam a presença na parada. Eles sempre dizem: o que é que a gente quer com isso, se a gente não é homossexual?, contou. Assim como o grupo de jovens, a aposentada Heloíse Curvo, de 75 anos, valoriza ações como essa. Ela mora na avenida Getúlio Vargas e acompanhou todas as outras cinco edições do evento. É justo o que eles fazem, porque cada um tem sua liberdade de escolha, disse. De acordo com ela, hoje, os homossexuais têm muito que comemorar. A gente percebe que eles são unidos, por isso merecem ser mais respeitados, completou a dona Heloíse. De acordo com o representante da ONG Livre Mente, Clóvis Arantes, realmente a comunidade gay tem muito o que comemorar. Conseguimos um grande avanço. Hoje, o fluxo e o diálogo nas esferas públicas de poderes são mais constantes. E isso é reflexo de manifestações como essa, afirmou. Para ele, a parada gay faz com que as pessoas vejam e percebam que elas devem respeitar as diferenças. Não somos anormais. A única coisa que difere entre nós (homossexuais) e os heterossexuais é o desejo sexual, desabafou. Além de Arantes, a travesti e promoter Renata de Oliveira Campos também acredita na evolução positiva do movimento. Vem melhorando a cada ano. Antes, a gente sofria preconceito em restaurantes e boates. Hoje, a gente já é respeitada, basta estar vestida de forma adequada ao ambiente, disse ela, que também faz algumas performances transformistas. O jornalista Willian Fidelis também acredita nessa única diferença, entretanto discorda da forma com que o segmento homossexual da sociedade se manifesta. Segundo ele, o movimento é visto por muitas pessoas de forma negativa, devido ao comportamento da grande maioria do público participante. É um carnaval fora de época. As pessoas não precisam tirar a roupa, consumirem álcool e se drogarem, como muitas fazem nesse tipo de evento, descreveu. Para ele, há forma mais respeitosa e correta de reivindicar leis que garantam os direitos aos homossexuais. Por que não usam faixas, fazem um abaixo assinado? Não precisam chocar as pessoas, apenas fazer com que elas entendam e respeitem a opção de cada um. Segundo a vendedora Elaine de Souza, de cada dez cervejas vendidas, um refrigerante era comercializado.