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Cuiabá MT, Domingo, 07 de Junho de 2026

CIDADES
Domingo, 07 de Junho de 2026, 08h:01

BAIXO 'PERDÃO'

Apenas 11,1% das rodovias oferecem alto índice de segurança em MT

Quase a metade das rodovias estadual e federal tem baixa capacidade de reduzir a gravidade dos acidentes de trânsito

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Secom-MT
Segundo estudo da CNT, a BR-163 tem 41,3% ou 430 km classificados como de alto índice de perdão

Em Mato Grosso, de um total de 7.156 km de rodovias sob jurisdição estadual ou federal, apenas 793 km, o correspondente a 11,1%, oferecem alto índice de “perdão aos motoristas”. Ou seja, têm nível maior de segurança.

É o que revela a pesquisa “Rodovias que perdoam”, realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e que avalia a capacidade da infraestrutura rodoviária de mitigar as consequências dos acidentes de trânsito, caso ocorram.

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Com dados de 2025 e em sua terceira edição, o “Índice de Perdão” aponta o quanto as características físicas das rodovias podem influenciar na gravidade das ocorrências.

Quanto menos graves forem as consequências, maior é o nível de perdão atribuído à rodovia.

No panorama nacional, do total da malha pesquisada, 19,9% (22.694 km) foram classificados com alto índice de perdão; 42,7% (48.733 km), com médio; e 37,5% (42.770 km), com baixo grau de absolvição.

Em nível estadual, quase a metade das estradas apresenta pouca capacidade de reduzir a gravidade dos sinistros.

São 3.501 km (48,9%) classificados com baixa proteção e, 2.862 km (40%), oferecem média segurança.

A pesquisa reforça ainda a diferença estrutural entre as rodovias sob gestão pública e aquelas administradas por concessionárias privadas.

Nas estradas concedidas, 4,7% (121 km) ofertam baixo índice de perdão; 65,6% (1.691 km), médio; e 29,7% (766 km) alto perdão.

Já nas rodovias públicas, 73,8% (3.380 km) são caracterizadas com baixo perdão; 25,6% (1.171 km) nível médio; e somente 0,6% (27 km) oferece alto perdão.

Levando-se em consideração a rede viária sob jurisdição estadual, 284 km (21,7%) apresentam alta probabilidade de clemência; 1.307 km (44,4%) média; e 1.356 km (46,0%) têm baixo índice de absolvição.

Dentre as estradas analisadas, chama a atenção a MT-170, que há uma semana foi alvo de fiscalização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE), por conta de uma obra de pavimentação que, em menos de um, ano virou “farelo”.

Segundo a pesquisa, a MT-170 tem zero km de segurança. São 95,7% ou 225 km com baixo perdão; e 4,3% (10 km), com nível médio.

Entre as vias sob a gestão federal, 51,0% (2.145 km) apresentam baixo perdão; 36,9% (1.555 km), médio; e 12,1% (509 km) ofertam alto índice de absolvição.

Já o estrato por rodovias mostra, por exemplo, que a BR-163 tem 41,3% ou 430 km classificados como de alto índice de perdão.

Outros 55,8% ou 580 km têm nível médio e, 2,9% ou 30 km baixa proteção.

Os trechos apontados com pouca segurança ficam nas proximidades de Lucas do Rio Verde (sentido Sorriso); entre Sinop e Colíder; e na região de Terra Nova do Norte e Peixoto de Azevedo.

METODOLOGIA - A classificação das rodovias tem como base dados Pesquisa CNT de Rodovias 2025, cruzados com as informações de acidentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e com o volume de tráfego disponibilizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por meio do Plano Nacional de Contagem de Trânsito.

Conforme a CNT, a metodologia baseia-se no conceito internacional das “rodovias que perdoam”, modelo de segurança viária voltado à construção e adequação de vias capazes de evitar sinistros ou minimizar a gravidade de suas consequências.

Entre os elementos analisados estão dispositivos de contenção (defensas e barreiras), acostamentos, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e outros equipamentos de segurança passiva.

A abordagem reconhece que os sinistros de trânsito são multifatoriais, envolvendo a infraestrutura, o comportamento do condutor, as características do veículo e fatores ambientais.

Por isso, o “Índice de Perdão” não mede a quantidade de acidentes em si, mas, sim, a probabilidade de tais eventos resultarem em consequências graves ou fatais para os usuários da malha rodoviária.


Edição edição 16957




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