CIDADES
Sábado, 30 de Outubro de 2010, 13h:10
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Ampliação do local prevista para 190 mil m2
Fora as obras de mobilidade urbana e da Arena do Verdão, Cuiabá pode ganhar um novo centro de compras para a Copa de 2014. O evento esportivo está sendo visto pelas autoridades como a oportunidade para finalmente tirar do papel (no caso, do Plano Diretor de Cuiabá) o projeto Tempos Modernos, uma estrutura de 190 mil metros quadrados que abrangeria as áreas do atual Shopping Popular, do ginásio Dom Aquino e do Parque de Exposições. O projeto tem o objetivo de proporcionar ainda mais segurança e estrutura para os comerciantes, contando com dois pavimentos, sendo o superior um shopping popular de 500 mini-lojas, com praça de alimentação e centro cultural. Também está prevista a revitalização do cais do porto, estacionamento arborizado e até a abertura de uma via entre as avenidas Beira-Rio e Carmindo de Campos, segundo consta no projeto do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (IPDU). Como o projeto é extenso, a previsão é de que grande parte dos comerciantes informais atualmente nas ruas da cidade seja instalada no novo complexo. Mas, como ele não sai do papel por parte da prefeitura, a Agecopa (órgão do governo estadual) tentará implementá-lo. De acordo com o diretor de Infraestrutura da Agecopa, Carlos Brito, o projeto do Tempos Modernos está ainda sendo redimensionado, pois a intenção é tirar o máximo do comércio informal das ruas. Além disso, a Agecopa desistiu de implementar o projeto contando com uma estação de transbordo e integração para o transporte coletivo tal como o IPDU planejou por conta do projeto do ônibus de corredor exclusivo, que já prevê uma estação nas proximidades. Entretanto, o estudo para redimensionar o projeto ainda depende de informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (Smades), que ainda não repassou o número total de camelôs na cidade. A reportagem tentou contato com a diretoria de Gerenciamento Urbano da Smades para falar sobre o assunto, mas, sem sucesso. OPINIÃO - Entre os camelôs, há divergências sobre a ideia de aderir a um Shopping Popular ampliado. O projeto não é unanimidade mesmo com o sucesso do modelo - com 392 bancas, o Shopping Popular chega a ser visitado por 10 mil clientes por dia em época de festividades e o perfil econômico do cliente, ao contrário do que muitos pensam, não é de classe baixa, mas média ou alta. Se dependesse de mim, não sairia daqui, afirma o ambulante Antônio Rodrigues da Silva, 60. Com sua banca na rua 13 de Junho, Antônio foi um dos camelôs que, diante das dificuldades no começo do Shopping Popular, desistiu e voltou às ruas. Ele não se convence da ideia ao se lembrar das dificuldades que passou, mas também diz que entraria numa concorrência brutal com comerciantes já estabelecidos. Pra mim, não acho vantagem, opina, sentado ao lado da banca onde vende pequenos eletrônicos e todo tipo de muambinha, como ele mesmo diz. Já do lado oposto da rua, o comerciante Cleiton das Dores Silva, 36 anos, vende DVDs há quatro anos e se anima com a ideia de aderir ao modelo. Lá seria ótimo para nós. Teria mais segurança, conforto pra trabalhar... Aqui a gente é muito perseguido. (RD)