CIDADES
Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010, 19h:59
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GOIABEIRAS
Alteração em julgamento
Defesa de Belo, um dos 4 seguranças, vai iniciar sessão sobre assassinato de ambulante pedindo júri separado e por agressão
A defesa do ex-segurança do Goiabeiras Shopping Ednaldo Belo, 30, que enfrenta júri popular hoje pela morte em setembro de 2009 de Reginaldo Donnan Queiroz, 31, vai exigir um julgamento separado dos demais três réus, todos ex-seguranças do shopping, logo no início da sessão nesta manhã. A estratégia foi anunciada ontem pelo advogado Waldir Caldas, que argumenta ser uma desproporção absurda o fato de que, pela lei, cada uma das quatro defesas só terá 45 minutos para expor sua tese, enquanto o Ministério Público (MP) fará a acusação em até três horas. Além de tempos iguais, Caldas também pedirá que o julgamento de Ednaldo Belo já seja realizado hoje mesmo, evitando mais delongas no processo que resulta num dos júris populares mais aguardados do ano pela brutalidade do crime e pela motivação ter sido fruto de mera discriminação contra o estudante e vendedor ambulante. Ednaldo senta no banco dos réus para um júri de pelo menos três dias junto aos ex-colegas Jorge Dourado Nery, 31, Valdenor de Moraes, 41, e Jefferson Medeiros, 25. Todos acusados de homicídio triplamente qualificado pela morte de Reginaldo, resultado da agressão sofrida dentro do Goiabeiras, onde ele fora comprar ingressos para um show. Vestido de modo simples e de chapelão, Reginaldo carregava suas mercadorias, mas não as anunciava ou vendia. Mesmo assim, foi abordado pelos seguranças. Chegou a sair do local após ter as mercadorias confiscadas, mas retornou e foi levado para a sala de segurança, onde foi cruelmente espancado. Depois, foi colocado em um contêiner de lixo e levado para um carro da Polícia Militar. Ele morreu dois dias depois. Por terem limpado a sala onde o comerciante foi torturado, todos os ex-seguranças também são acusados de fraude processual. Além disso, Jefferson e Ednaldo respondem por denunciação caluniosa, por terem registrado um boletim de ocorrência relatando suposta tentativa de agressão por parte de Reginaldo. Jefferson e Valdenor também respondem por furto qualificado (cerca de R$ 1 mil sumiram do bolso da vítima). DEBATES - O MP e a defesa dos ex-seguranças devem empreender debate sobre a qualificação do crime. Com base em sua denúncia, o promotor João Veras Gadelha apontará um homicídio triplamente qualificado, argumentando que os seguranças assumiram o risco de morte de Reginaldo ao agredi-lo dolo eventual. Já a defesa deverá desqualificar para lesão corporal seguida de morte, sem dolo, o que pode diminuir as penas. É o caso da defesa de Ednaldo, afirmou o advogado Caldas, que pode pegar de 14,5 a 42 anos de detenção, segundo Gadelha. Jefferson tem chance de pegar a maior pena, de 16,5 a 50 anos. Dentre as provas para isso, além das imagens já divulgadas do circuito interno do shopping, há testemunhas arroladas e duas provas periciais inéditas, dois telefonemas para a polícia gravados. Um é de uma cliente que viu Reginaldo pedindo socorro e outro é de Valdenor pedindo uma viatura policial para levar Reginaldo embora. Valdenor diz no telefone que um sujeito embriagado causara tumulto e Reginaldo protesta dizendo ser um trabalhador, mas só recebe mais humilhação. A reportagem tentou contatar por telefone os advogados de Jefferson, Jorge e Valdenor, sem sucesso.