CIDADES
Segunda-feira, 05 de Março de 2007, 21h:12
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ACAMPADOS
Ainda sem respostas
Manifestantes do MTA chegaram ontem à Capital, tentaram reunião com o governador, mas ainda não tiveram acesso aos gestores
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Acampados (MTA) chegaram caminhando ontem pela manhã na área central de Cuiabá e seguiram até o Monumento Ulisses Guimarães, onde realizaram um manifesto até às 14 horas. Os integrantes do movimento pedem o afastamento do superintendente do Incra em Mato Grosso, Leonel Wohlfahrt, o assentamento de quatro mil famílias acampadas no Estado e infra-estrutura para as seis mil famílias que já foram assentadas. Duzentos integrantes do MTA saíram na segunda-feira, 26 de fevereiro, de São Vicente rumo à sede do Incra em Cuiabá para apresentar a nova pauta de reivindicações. Desde então, grupos de acampamentos de diversos pontos do Estado, como o Vale do Jauru e Primavera do Leste, se reuniram aos caminhantes e vieram para Cuiabá. A expectativa era que mais 300 integrantes chegassem à Capital até o final do dia. Depois do manifesto no monumento Ulisses Guimarães, os integrantes do MTA seguiram em caminhada até o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), onde teriam uma reunião marcada com o governador Blairo Maggi que não aconteceu - e acamparam. Os líderes do movimento denunciam que está havendo desvio de verbas do Incra e que o superintendente no Estado não está conseguindo fazer reforma agrária em Mato Grosso por causa do alto índice de corrupção no órgão. Há um pouco mais de um ano, o MTA fechou a BR-364 para chamar a atenção dos responsáveis para reforma agrária em Mato Grosso. Nos dias em que o trânsito ficou impedido na estrada, houve muitas reclamações de pessoas que precisavam passar pelo local. Como resultado do protesto, membros do Movimento foram até Brasília para conversar com os responsáveis pelo Incra. Lá, receberam a garantia de que o órgão em Mato Grosso receberia recursos exclusivos para fazer a topografia de cinco áreas que deverão ser destinadas aos acampados, além de vistorias em outras áreas. Segundo um dos líderes do movimento, Valdir Correa, tudo o que foi acordado em Brasília foi cumprido, mas porque os responsáveis foram os representantes do órgão no Distrito Federal. Valdir ainda disse que os membros do MTA optaram por caminhar este ano para mostrar à população de Mato Grosso que não querem causar confusão, mas sim alertar para os problemas que enfrentam, como a morosidade do Incra no Estado. Eles decretaram que a verba era para fazer a topografia. Se não fosse assim, não teríamos muito resultado, porque tudo que tentamos fazer por Cuiabá não dá certo, comentou Valdir. Correa explicou que os membros do MTA não vêem problemas em se reunir com Leonel, desde que ele cumpra o que for prometido. O coordenador do movimento falou que os representantes de Brasília entraram em contato com os caminhantes para avisar que estariam encaminhando alguém para conversar com o grupo. Os integrantes do MTA devem seguir hoje para o Incra.