CIDADES
Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009, 00h:03
A
A
QUESTIONÁVEL
Água chega preta às torneiras de VG
Moradores do Vista Alegre questionam qualidade do produto quando chega às casas. Muitos deixam de consumi-lo inclusive no preparo de alimentos
ALECY ALVES
Da Reportagem
Água, produto essencial à vida, é algo raro na maioria das residências do Jardim Vista Alegre, em Várzea Grande. Além da escassez interminável, enfrentada há anos, quando o abastecimento é feito os moradores enfrentam problemas com a qualidade. Na maioria das vezes, o produto que chega às torneiras apresenta alteração na cor. Á água é mais escura e, no processo de decantação em baldes, bacias, galões e outros utensílios, acaba criando uma camada de resíduo de coloração preta. A moradora Vilma Regina Pereira considera arriscado consumir água que abastece o bairro. Por isso, na casa dela o consumo está limitado a limpeza de piso, banheiros, lavagem de roupas e outros serviços domésticos. Para beber e usar no preparo de alimentos, Vilma compra garrafões de água de fontes minerais. Além de insuficiente, a água da rede pública que abastece o Jardim Vista não tem pressão para encher os reservatórios superiores, aqueles que habitualmente são instalados entre o telhado e a laje das casas, como reclamou dona Maria Conceição Silva. A moradora Nadima Baccar, dona Naná, como é conhecida, contou que tomou um susto com a água que jorrou do terreno onde fica o reservatório público que antigamente abastecia do bairro. Supostamente desativado, o local começou a liberar grande quantidade de água, suficiente para inundar a rua e abrir uma cratera no asfalto. Esse fato gerou uma série de transtornos aos moradores porque aumentou o tamanho do buraco deixado pela prefeitura com a paralisação das obras da nova rede de água. Dona Naná e a vizinha Glória Almeida reclamam ainda do valor da conta de água. Cada uma paga entre R$ 70 e R$ 90 por mês pelo produto que nem sempre serve suas residências. O diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, Jeverson Missias de Oliveira, disse que a falta de água é um problema antigo no Vista Alegre e outros bairros de Várzea Grande, que deveria ser resolvido com as obras do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC). Paralisadas judicialmente, ele disse que ainda não se sabe quando poderão ser retomadas as obras para construção da nova rede. Ele explicou que o abastecimento do bairro é feito por poços artesianos que não estão atendendo as necessidades da população. Sobre a qualidade, ou seja, a sujeira denunciada pelos moradores, Jeverson Missias alegou desconhecer, mas prometeu tomar providências. A suspeita do presidente do DAE é que as gambiarras, ligações clandestinas de água, estejam contaminando a água fornecida pela prefeitura.