CIDADES
Terça-feira, 18 de Julho de 2006, 20h:00
A
A
SEGURANÇA
Agentes pedem arma e temem que o Bope saia com Arcanjo
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Agentes prisionais prometem realizar hoje à tarde uma manifestação em frente à Secretaria Estadual de Administração (SAD). Eles querem mais segurança nos presídios, em especial no Pascoal Ramos, e o cumprimento da portaria 315 da Polícia Federal que permite à categoria e funcionários que fazem a escolta de presos o porte de armas de fogo, ainda que fora de serviço. Segundo a vice-presidente do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil e Agentes Prisionais (Siagespoc), Yeda Silva Demétrio, das quatro guaritas localizadas no Pascoal Ramos, apenas duas contam com a presença de policiais militares, responsáveis pela guarda externa nas unidades prisionais. Nas guaritas dois e quatro não temos policiais militares e os agentes temem a saída do Bope quando João Arcanjo for transferido, disse. Segundo ela, a partir do momento que o Bope passou a fazer segurança no raio 5, não houve mais motim no presídio. De acordo com o presidente do Siagespoc, Clédison Gonçalves, a situação também é delicada nas cadeias do interior do Estado, pois a maioria não conta com PMs. A arma será uma forma do agente garantir a sua integridade física. Muitos sofrem ameaças de presos que prometem vingança após deixarem a prisão. Gonçalves também cobrou mais investimento no setor. O sistema prisional é falido e obsoleto. É igual a rede de esgoto nenhum governo quer investir. A aquisição da arma será um dos assuntos a serem discutidos em reunião também marcada para hoje à tarde com o secretário de Administração, Geraldo de Vitto. O que queremos é que o governo do Estado dê condições para que o agente prisional possa adquirir a sua arma. Com o salário atual não dá. O salário de um agente é de R$ 830 bruto. O uso de arma de fogo por agentes tem sido bastante cobrado após os ataques que a categoria vem sofrendo desde de maio, por parte de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O superintendente do Sistema Prisional de Mato Grosso, Domingos Sávio Grosso, informou que a compra das armas e a realização do curso de tiros devem ser por conta dos agentes prisionais. Conforme ele, o Estado não tem condições de arcar com os custos desta aquisição. Sobre a segurança no Pascoal Ramos, Domingos Sávio disse que com a saída do Bope serão tomadas todas as providências para que a Polícia Militar continue e se faça presente no local, como por exemplo, o reforço do Batalhão de Guardas. A portaria determina que o porte da arma conste da própria carteira de identidade funcional do servidor. Tanto a carteira como o certificado de registro da arma deverão estar sempre com o funcionário. Para portá-la, porém, os agentes devem fazer prova escrita sobre normas de segurança e passar por testes práticos de tiro, como já determinava outra portaria da PF de fevereiro deste ano. LEI ORGÂNICA Outro assunto a ser discutido com o secretário Geraldo de Vitto é a Lei Orgânica que disciplina a carreira dos profissionais do sistema prisional de Mato Grosso. Em Mato Grosso, são cerca de 1.300 agentes prisionais que reivindicam a aprovação da lei.