Legalmente, profissionais de trânsito já podem usar arma de fogo, mas em Cuiabá deverá ser permitido apenas uso de spray e de cassetete
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Agentes de Trânsito de Cuiabá buscam a aprovação de uma lei que permite o uso de armas não-letais durante o trabalho. A intenção é liberar o uso de spray de pimenta e de cassetete para autodefesa durante situações em que os amarelinhos se sintam ameaçados. O pedido partiu após a briga entre um agente e um motorista na última quinta-feira (10). O supervisor de trânsito Jeancarlo Costa Campos, que utilizou a tribuna da Câmara dos Vereadores ontem para explanar o assunto, afirmou a profissão está sendo regularizada hoje, com a promulgação da PEC 77-A no Senado Federal, possibilitando que os agentes possam utilizar arma de fogo durante o trabalho, fato que Campos é contra. A partir de agora a profissão passa a dispor dentro do artigo 144 da Constituição Federal, que fala sobre a segurança pública, dando direito ao agente de utilizar arma de fogo durante o trabalho. Mas não quero isso e vou lutar contra. Buscamos apenas a autodefesa, e dos munícipes também, por isso pedimos apenas a liberação do uso de armas não-letais, disse. Segundo Campos, se esses equipamentos já fossem liberados para uso, a briga da semana passada seria evitada. Não sabemos quem começou a confusão, mas em outros casos, o agente poderia usar o spray, que imobilizaria o condutor por até 15 minutos, tempo de uma viatura da Polícia Militar chegar e atender a ocorrência, explicou. Ocorrência envolvendo agentes e motoristas crescem a cada mês na cidade. Até o momento já são 102 casos de agressão contra os amarelinhos registrados na Delegacia de Delitos de Trânsito de Cuiabá. Aproveitando a repercussão do episódio no centro da cidade, Campos afirma que suas declarações são como um direito de resposta da categoria. Vimos pela imprensa certa tendência em inocentar o motorista, mas não podemos ter partido. Uma sindicância foi aberta para apurar a conduta do servidor, já pedimos imagens das câmeras da rua 13 de Junho e muitas pessoas de caráter pediram para testemunhar a favor do agente, lembrou. O agente envolvido no episódio está afastado do trabalho até o final das investigações.