CIDADES
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007, 21h:03
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TABAPORÃ
Advogada é executada enquanto trabalhava
Andréa Pereira foi assassinada dentro do escritório no fim da manhã de ontem. Polícia Civil investiga se morte tem conexão com algum caso que acompanhava
MARCO AURÉLIO JR
Da Reportagem/Sinop
A advogada Andréa de Carvalho Furtado Pereira, 30, foi assassinada ontem de manhã dentro do próprio escritório, em Tabaporã (643 quilômetros ao Médio-norte de Cuiabá). A delegada regional Fátima Moggi foi até o município, que não tem delegacia, para auxiliar nas investigações. Quatro policiais militares foram deslocados de Juara para ajudar outros cinco nas buscas, mas nenhum suspeito havia sido preso até o fechamento desta edição. O crime aconteceu pouco antes das 12h, quando Andréa trabalhava em um processo no escritório. Segundo o comandante da Polícia Militar em Juara, major Ademar do Nascimento, pelo menos duas pessoas invadiram o local e dispararam dois tiros contra a advogada. Andréa foi socorrida, mas morreu antes de chegar ao hospital. A polícia ainda não tem suspeita de quem possa ter cometido o crime. A única informação é de que um carro preto, não identificado, foi visto saindo de Tabaporã em alta velocidade. Durante toda a tarde, os policiais concentraram as buscas nas proximidades de Tabaporã e formaram barreiras nas estradas que ligam o município a Novo Horizonte do Norte e a Porto dos Gaúchos. Fizemos barreira para tentar encontrar os suspeitos, mas existem muitas saídas por estradas de fazendas, explicou o major Ademar. A delegada Fátima Moggi chegou a Tabaporã no final da tarde. Ela colheu algumas informações que ainda não ajudaram a definir uma linha de trabalho. Moggi continua no município e hoje deve se aprofundar nas investigações. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já designou dois membros para acompanhar as investigações. Pela OAB no Estado, o serviço ficará a cargo do conselheiro Luís Carlos Negreiros e a subsecção de Juara indicou o advogado Felício Hirokazu Ikeno, sócio da vítima. Ela era uma pessoa muito querida e envolvida com atividades sociais na cidade, lamentou Ikeno. O presidente da subsecção de Juara, Élcio Lima do Prado, divulgou nota de pesar lamentando a morte da colega de profissão e cobrando eficácia da polícia nas investigações. Que esse assassinato não fique sem punição, que os culpados sejam capturados, processados, julgados, condenados e punidos nos estritos termos da lei, escreveu. Andréa era muito conhecida em Tabaporã por ter sido a primeira escrivã do fórum local e por trabalhar em projetos sociais. Ela era casada com o comerciante Fabiano Furtado e não tinha filhos. A vítima exercia a advocacia desde o dia 31 janeiro deste ano. Segundo o presidente da subsecção de Juara, Andréa era uma pessoa pacata, que não se envolvia em confusão. Como advogada, revelou Prado, a vítima nunca se envolveu em casos polêmicos, a exemplo de causas criminais e de grilagem de terra, muito comum na região. Estamos surpresos com a forma como o crime foi praticado. Parece que não era para ela, lamentou. EMPENHO O presidente da OAB em Mato Grosso, Francisco Faiad, solicitou uma audiência com o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Carlos Brito, para cobrar empenho das autoridades na prisão dos assassinos da advogada. Ele disse entender que o atentado e o assassinato demonstram uma clara tentativa de intimidação da classe dos advogados e destacou que casos como este não podem ficar imunes à punição.