CIDADES
Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010, 20h:00
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FOGO SELVAGEM
Ação acaba em 4 presos no Nortão
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Depois da prisão de quatro pessoas acusadas de furto de madeira na Fazenda Mercedes, entre os municípios de União do Sul e Cláudia, os ficais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) continuam os trabalhos de levantamento do total da área afetada pelo desmate e a queima da área, que é destinada para manejo florestal. Além de furto de madeira e crime ambiental, os detidos, cujos nomes não foram divulgados, vão responder por formação de quadrilha. A prisão ocorreu entre a última sexta-feira e o sábado, durante a Operação Fogo Selvagem, que contou com o apoio da Polícia Civil. A fazenda conta com aproximadamente 10 mil hectares. A estimativa é que a maior parte é que esteja queimando e uma menor, de cerca de mil hectares, sendo desmatada. De acordo com o fiscal da Gerência Executiva do Ibama em Sinop, Evandro Selva, será necessário retornar à área com motosserra para cortar as madeiras que foram colocadas pelo caminho para dificultar que os fiscais e a polícia percorressem o lugar. Vamos amanhã (hoje) para identificar e quantificar exatamente o total desmatado, informou Selva. O levantamento da área queimada será feito por satélite, acrescentou. A área, toda de floresta, foi invadida há alguns anos por posseiros. Existe a informação de que há 150 famílias posseiras, mas Selva acredita que não chegam a 20. Quem está lá é o pessoal que está extraindo toras, afirmou. Ao chegarem ao local, policiais e fiscais depararam-se com um cenário de verdadeira destruição, ocasionado pelo corte ilegal e irracional de madeira, pontos de desmate e, especialmente por vários focos de incêndio. O fogo ainda continua na área, informou o fiscal do Ibama. De acordo com levantamento da polícia, os posseiros estariam franqueando a entrada de tratores e caminhões para extração e transporte de madeira, financiados por alguns madeireiros da região. É uma organização criminosa. A devastação é muito grande. A queimada é demais, disse o delegado Luiz Henrique de Oliveira, de Sinop. Segundo ele, são vários pontos de extração de toras. Até por isso, a fiscalização foi realizada por quatro equipes entre policiais civis e fiscais do Ibama, visando atingir todos os pontos críticos. Luiz Henrique comentou ainda que é difícil efetuar a prisão de todos, pois quando a polícia e os fiscais se aproximam eles fogem mato adentro, abandonando as motosserras e o maquinário. Na sequência das investigações, a polícia espera identificar principalmente os madeireiros que estavam comprando as toras. Durante a ação, conforme assessoria da Polícia Civil, foram apreendidos três espingardas e sete motosserras. Além disso, foram encontrados e retirados da mata seis tratores traçados. Evandro Selva fez questão de frisar que a área é 100% destinada para manejo florestal ou preservação. Além disso, não há interesse do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em transformá-la em assentamento. Ele acredita que os posseiros que se encontram no local estão sendo incentivados e enganados com falsas promessas. Porém, não se sabe por quem.