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CIDADES
Quinta-feira, 24 de Julho de 2014, 20h:36

UFMT

Acadêmicos se mobilizam contra o Reuni

Alunos da Universidade Federal debateram ontem, no Restaurante Universitário, o que chamam de “expansão mal-intencionada”

YURI RAMIRES
Da Reportagem
Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estão se mobilizando contra as diretrizes do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) que estão sendo adotados pela reitoria da instituição. Ontem eles se reuniram no Restaurante Universitário para discutir “os reflexos de uma expansão mal-intencionada”. De acordo com Sérvulo Neuberger, membro do coletivo Alternativa Estudantil pela Base (EAB), a flexibilização curricular, que está preste a ser adotada pela instituição, consiste, por exemplo, em alunos de diversos cursos estudando uma disciplina em comum na grade. “Sou estudante de Comunicação Social, minha aula de língua portuguesa passaria a acontecer com alunos de outros cursos, como Letras, Filosofia, Ciências Sociais. Uma sala com 20 alunos passaria a contar com 80 mais ou menos”, explicou. Em panfletos distribuídos para os estudantes, o coletivo afirma que apesar do “nome bonito”, o método apresenta um problema real. “a reestruturação vai ocorrer esse ano na Universidade toda, carga horária diminuída e as salas vão ficar cada vez mais cheia. A educação passará a ser uma mercadoria”. Para o estudante o método não representa qualidade no ensino, já que a disciplina não seria lecionada para a área de atuação e sim de forma abrangente. “Para os professores também não é bom, já que vão ficar sobrecarregados, vai aumentar a produção e o salário não mudará”, disse. O estudante defende que se a “junção” fosse como uma via de mão dupla, onde se aprende e ensina, seria uma boa opção, mas com os moldes que estão sendo trabalhos não representa a qualidade do ensino público, por qual eles têm lutado. A ideia também é abominada pelo professor doutor do curso de Letras, Roberto Boaventura. Segundo ele, a flexibilização faz com que os cursos fiquem fragilizados. “Essa ideia não surgiu a toa, acontece que vivemos em um momento de flexibilidade. Essa lógica está voltada a contemporaneidade, hoje vemos tudo muito fragmentado”, lembra. Por fim, Boaventura acrescenta que a universidade jamais poderia entrar nessa perspectiva, e sim manter cada curso com suas aulas e deslumbrar da estrutura para o acadêmico de forma prévia. Outra problemática abordada pelo coletivo é a falta de professores nos departamentos educacionais. Em abril deste ano, estudantes do curso de Geografia foram às ruas após serem prejudicados pela falta de docentes para três disciplinas. Contudo, a situação parece não ter melhorado, já que por todo o campus em Cuiabá, placas afirmam: “não tem professor na UFMT”. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da UFMT, para contrapor as ideias apresentadas, mas não obteve retorno até o fechamento.

Edição EDIÇÃO 16967




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