CIDADES
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:36
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CUIABÁ-ANO 40
A ocupação do vazio mato-grossense
Levas de brasileiros de todas as regiões vieram para Mato Grosso, fundaram cidades, miscigenaram a população e ampliaram o leque cultural
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Até 1970 o fluxo migratório para Mato Grosso era pequeno. A partir daquele ano aconteceu a explosão populacional com levas e mais levas de brasileiros de todas as regiões. O imenso vazio amazônico mato-grossense começou a ser ocupado e explorado economicamente. Nessa esteira surgiram dezenas de cidades e a mais importante delas é Sinop, com 103.868 habitantes. O desenvolvimento interiorano exigia de Cuiabá mais prestação de serviços. Essa demanda trouxe repartições públicas federais para a capital, criou a verticalização e consequentemente criou o espírito de unidade territorial após a emancipação de Mato Grosso do Sul. A divisão territorial levou o Exército a instalar a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada em Cuiabá. Na esfera estadual o governo interiorizou a Polícia Militar e a Polícia Civil. Paralelamente ao crescimento do interior Cuiabá se desenvolvia e a cada dia aumentava a demanda por apartamentos, escolas, institutos de beleza, medicina de especialidades e outras para atender os servidores da Justiça Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal, Ministério da Defesa, Ibama, Incra e de tantas outras instituições, além dos tradicionais moradores locais. A colonização do vazio foi compartilhada pelo governo e a iniciativa privada. Peixoto de Azevedo e Carlinda surgiram de projetos do Incra. Sinop foi fundada por Ênio Pipino. Alta Floresta, Apiacás e Paranaíta, por Ariosto da Riva. Juara e Tabaporã, por José Pedro Dias, o Zé Paraná. Marcelândia, por José Bianchini. Terra Nova do Norte, Nova Guarita, Canarana e Querência, por Norberto Schwantes. Sapezal, por André Maggi. Outras cidades também nasceram de projetos privados. A transformação do vazio em cidades foi possível graças aos pioneiros que enfrentaram isolamento, malária e a absoluta ausência do estado. Em 1976, Zé Paraná se entusiasmou tanto com a chegada do primeiro ônibus em Juara, que o lavou com cerveja. Esse ato foi a forma encontrada para extravasar o contentamento pela ligação da então vila com a rodovia Cuiabá-Santarém pela Estrada da Baiana. Quando começou o processo migratório, o chefe do IBGE em Cuiabá com jurisdição no estado, Nelson Pinheiro, sentenciou que em Mato Grosso nascerá bugre de olhos azuis. Essa frase não tinha cunho profético e apenas revelava a miscigenação em curso com a chegada dos sulistas, fato esse que Pinheiro conhecia em razão do exercício de sua função. A colonização ao longo da rodovia Cuiabá-Santarém teve predominância sulista. Nordestinos e paraenses formam a base populacional no Intervales. Também é expressiva a participação de mineiros, paulistas e goianos no processo colonizador. A miscigenação aconteceu e Mato Grosso se tornou um centro de mesclada cultura que mistura os curussé da fronteira boliviana com as tradições gaúchas, o siriri e o cururu com o sertanejo dor-de-cotovelo goiano, o frevo com o samba. Em 1970, quando a colonização se iniciou a população era de 1.597.090 habitantes incluindo a região que mais tarde seria Mato Grosso do Sul. Dez anos depois caiu para 1.138.691, em razão da divisão territorial. Em 1991 o estado tinha 2.006.068 residentes e em 1999 esse número saltou para 2.350.233. O DIÁRIO participou e continua participando do processo de interiorização. Para facilitar as coberturas jornalísticas, a direção do jornal instalou a mais de 27 anos sucursais em três importantes cidades: Rondonópolis, Cáceres e Barra do Garças.